Francisco Dutra
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O ouvido do brasiliense sofre mais com o barulho em 11 pontos do Distrito Federal. O mapa do som alto e sem noção foi traçado pelas reclamações da população para o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do DF – Brasília Ambiental (Ibram), ao longo de 2011. O ranking da poluição sonora é composto pelo Plano Piloto, Taguatinga, Ceilândia, Águas Claras, Guará, Samambaia, Gama, Planaltina, Lago Sul, Sudoeste e Octogonal.
Segundo o subsecretário de Saúde Ambiental, Luis Maranhão, durante a produção do mapeamento da poluição sonora o Ibram identificou a redução no número de reclamações da população quanto ao barulho nos últimos dois anos. Enquanto foram registradas 612 reclamações em 2010, no ano passado o número caiu para 402. “Conseguimos essa redução graças ao exercício de harmonizar os conflitos entre vítimas e agressores, chamando-os para conversar e resolver o problema”, explicou.
Mesmo com o recuo das queixas, a situação ainda está longe da ideal para o conforto e a saúde da população, na análise de Maranhão. A poluição sonora produzida pelo som automotivo, de ônibus, carros e demais veículos motorizados está presente, com diferentes níveis de intensidade por todo o DF. Sem a devida conservação e manutenção, muitos desses meios de transporte se transformam em fontes ambulantes de agressão aos ouvidos.
Na edição de ontem, o Jornal de Brasília mostrou o problema da poluição sonora automotiva, apresentando também uma pesquisa que aponta projeções de barulho de carros e afins no futuro bairro ecológico Noroeste. “A população não tem noção por que está adoecendo. Mas o ruído daquele ônibus barulhento causa depressão, irritabilidade e hipertensão”, alertou.
Perfil regional
Paralelamente à poluição sonora automotiva, o subsecretário explicou que o problema do barulho apresenta um perfil para cada região administrativa. “Talvez por uma maior consciência da população que corre atrás dos seus direitos, registramos mais reclamações no Plano Piloto”, comentou Maranhão. No coração do DF, a maior parte das reclamações é sobre o som excessivo de bares e shows em área pública. Em muitos casos, os estabelecimentos não possuem o alvará para apresentações musicais.
Nuances bem distintas das regiões de Taguatinga e Ceilândia, onde o sossego da população se perde com o barulho de alto- falantes de lojas e carros de som. “Alguns acham que colocando a caixa de som mais alta do que o vizinho vão vender mais”, comentou o subsecretário. Nas duas cidades também é recorrente a queixa de templos religiosos que colocam caixas de som na rua sem respeitar os ouvidos alheios.
Em Águas Claras, o vilão é o barulho além do recomendado em obras da construção civil e do trânsito. “O problema fica pior porque os prédios são muitos próximos, quase colados, fazendo um paredão que causa a reverberação sonora”, detalhou. Em franca expansão, as quadras da região possuem de um a dois empreendimentos sendo erguidos. “E verificamos muitas obras que são feitas inclusive à noite”, completou.
No Guará, Maranhão conta que chama a atenção o problema das festas em residências. “Tem quadra que tem festa em uma casa na quinta-feira, outra em outra casa na sexta e em uma terceira no sábado”, contou. O Lago Sul, por sua vez, apresentou muitas críticas decorrentes do som de casas de festas. Já no Sudoeste e na Octogonal, o mapeamento revelou muitas queixas no trânsito, especialmente motos na madrugada.