Cristina Sena
cristina.sena@jornaldebrasilia.com.br
“Meus colegas me chamam de baleia, de gorda, de pobre. Tem uns meninos que me empurram, me beliscam. Eu tenho dor de barriga e de cabeça só de pensar que vou ter que passar por isso de novo”. Patrícia (nome fictício) não quer mais ir à escola onde estuda há dois anos, em Planaltina. Desde o início deste ano letivo, a menina de nove anos se queixa da perseguição dos colegas de classe. São humilhações verbais e físicas, como empurrões, tapas e beliscões. Preocupada, a mãe, Fernanda (nome fictício), 32 anos, afirma ter procurado a direção da escola para reclamar das ameaças e humilhações diárias que a filha sofre. No entanto, segundo ela, cinco meses depois, nada mudou.
O sofrimento de Patrícia veio à tona quando a mãe encontrou uma carta da menina, dentro do banheiro. “Ela dizia que preferia morrer a voltar para a escola”. O rendimento escolar da menina caiu e Fernanda teme pelo futuro da filha. “Não sei mais o que fazer. Ela não quer ir de jeito nenhum para a escola e nem eu quero que ela vá. Vou procurar o Conselho Tutelar e pedir que encontrem uma vaga em outra escola para que ela não perca o ano letivo”, desabafa.
Imagem distorcida
De tanto ouvir insultos, Patrícia criou uma imagem distorcida de si mesma e vive pedindo de presente à mãe uma cirurgia plástica no abdômen. A professora da terceira série foi procurada tanto pela mãe quanto pela avó da menina. “Ela dá de ombros, como se não ocorresse na sala dela. Ela não tem controle algum da situação”, relata.
Leia mais na edição desta segunda-feira (01) do Jornal de Brasília