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Brasília

Homem que matou ex-companheira tinha sido liberado pela Justiça

Arquivo Geral

07/06/2018 22h46

Foto: Kléber Lima

João Paulo Mariano
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O feminicídio de Tauane Morais dos Santos, 23, era uma morte anunciada que nem a família nem  a lei, muito menos a Justiça conseguiram reverter. A mulher foi morta a facadas pelo ex-companheiro, Vinícius Rodrigues de Sousa, 24, na tarde de quarta-feira, um dia depois dele ter  sido solto  em uma audiência de custódia por tê- la agredido no ultimo domingo. Logo após o ato, ele tentou suicídio e se encontra internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Taguatinga.

O delegado-chefe da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia), Eduardo Galvão, ressalta que não houve tempo para o oficial de Justiça avisá-la que o ex-marido estava solto, como é de praxe nesses casos. Tudo indica que ele cometeu o crime porque não aceitava o fim do relacionamento.
Era o final da tarde quando Vinícius Rodrigues de Sousa chegou à casa. A Polícia Civil acredita que ele tenha ido ao local para pegar seus pertences. Eles estariam sozinhos naquele momento, apesar de terem dois filhos – de dois anos e quatro anos.

A discussão começou, a segunda na mesma semana, porém o fim foi mais trágico. Tauane teria começado a receber golpes na sala do apartamento, que fica na Quadra 206 de Samambaia Norte, e caiu no quarto.

O homem ainda se esfaqueou na região do estômago. Porém, foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros. Segundo o delegado Eduardo Galvão, ele se encontra em estado grave, entubado e com risco de morte. A Secretaria de Saúde informou que ele está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Taguatinga.

Violência

Segundo a Polícia Civil, Vinícius era um homem cimento e violento, mas não tinha nenhum antecedente criminal. Apesar disso, a briga de domingo foi a primeira a chegar à delegacia, quando foi preso em flagrante. “Ele a ameaçou, agrediu e destruiu a casa inteira. Inclusive a teria estrangulado”, afirma Galvão. Vinícius quebrou móveis e eletrodomésticos, rasgou cortinas e deixou a casa toda revirada.

Com a gritaria, vizinhos chamaram a polícia e ele foi preso em flagrante. Enquadrado na Lei Maria da Penha,foi encaminhado à carceragem e passou pela audiência de custódia na terça-feira, quando recebeu o alvará de soltura do juiz Aragonê Nunes Fernandes. Na decisão, o magistrado reconhece que há indícios suficientes de violência doméstica, porém o contexto não geraria obrigatoriamente a detenção do agressor. O Ministério Público e a Defensoria Pública concordaram com o exposto.

Aragonê determinou que Vinícius não se aproximasse dos filhos e da ex-companheira, inclusive pela internet, e não poderia sair do Distrito Federal. Contudo, isso não impediu do homem de voltar à casa e cometer o crime. Ontem, uma nova audiência de custódia foi feita pelo magistrado, mesmo sem a presença do agressor. Nela, o discurso mudou.

O juiz argumenta: “Por não termos ‘bola de cristal’, não temos como prever aqueles que realmente concretizarão as ameaças que fazem”. Ele adiciona que prender a todos não seria o melhor caminho. Assim, ele converteu a prisão em flagrante para preventiva, que deve ser colocada em prática quando o jovem sair do hospital.

Criança grita pela mãe

No prédio onde o casal morava, vizinhos, que preferiram não se identificar, admitem que tem sido difícil dormir no edifício. “O filho ficava gritando por ela o tempo todo”, afirma um deles. Ontem o prédio passou por limpeza, pois havia muito sangue pelos corredores. A reportagem do JBr. tentou contato com a família de Tauane, mas ninguém respondeu.

No supermercado onde ela trabalhava, na QN 208 de Samambaia, os funcionários que conversaram com a reportagem disseram que foi um dia difícil devido ao crime brutal que ocorreu com a companheira de trabalho. Uma das funcionárias contou que ela era muito amiga de todos e que vai fazer falta.

O corpo de Tauane deve ser levado para sua terra Natal, o Piauí, pois é lá que a família mora. Já o agressor, se sobreviver e sair do hospital, deve ser preso. Se condenado, pode pegar pelo menos 12 anos de prisão pelo feminicídio com motivo fútil e meio cruel, além do descumprimento da medida protetiva.

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