Um rapaz de 24 anos foi preso na última sexta-feira (8), acusado de matar o ex-padrasto, na companhia do irmão adolescente, por uma dívida de drogas. O crime ocorreu no dia primeiro de maio deste ano, na casa da vítima, na QE 42, do Guará II. Segundo a polícia, Elenildo de Amoras Thethe, 37 anos, conhecido como “Nill”, morreu após levar quatro facadas nas regiões do pescoço e ombro. Ele morreu na hora. Após o crime, o suspeito Roberto Teotônio Lopes, 24 anos, (foto) fugiu para a pequena cidade de Mauriti, no sertão do Ceará. Por lá ficou foragido por quase seis meses, até ser preso pela polícia local, que acionou a corporação do DF e o transferiu para a 4ª DP do Guará.
Roberto não tem antecedentes criminais e morou por um tempo com a mãe, o ex-padrasto e o irmão de 17 anos, que seria traficante. Segundo a polícia, Elenildo era usuário de crack e agredia a mãe do suspeito com frequência. Durante um tempo, o padrasto comprou porções da droga que o enteado vendia. Nesta época ele já estava separado da mãe dos garotos, e morando em outro local. Endividado e sem ter como pagar o enteado traficante, Elenildo foi pressionado a quitar a dívida.
No fim da noite do dia 30 de abril, os irmãos foram atrás do ex-padrasto cobrar o dinheiro. Segundo a polícia, eles estavam armados com faca e tentaram intimidar Elenildo. Sem ter dinheiro, eles então teriam o agredido e esfaqueado. Em depoimento, Roberto afirmou que a vítima teria pego uma faca e o ferido de raspão perto do rosto e no peito. Ele garantiu que tudo foi uma resposta a tentativa do padrasto de matá-lo. “Eu não matei porque eu quis. Ou era ele, ou era eu!”, disse Roberto.

Mesmo alegando ter cometido o crime em legítima defesa, a polícia não incluiu no inquérito a possibilidade, uma vez que não há provas que remetam a tal circunstância. “No local do crime não havia a faca que teria sido usada pela vítima, nem objetos ou situação que levem a possibilidade de ter havido luta corporal, ou agressão por parte da vítima”, explica o delegado Larizzatti.
FUGITIVO
Após o crime, Roberto pegou um ônibus e fugiu para a cidade de Mauriti (CE). Lá, ele se instalou na casa do avô paterno, que só soube do crime que o neto havia cometido, há uma semana. Revoltado com a situação, o avô entregou o neto à polícia, que o deteve em uma cadeia pública da cidade. Com pouca segurança, o suspeito conseguiu fugir. “A polícia local entrou em contato com a gente e confirmamos o caso. Ele foi preso na terça-feira (5) e conseguiu fugir na quinta (7). Nós deslocamos uma equipe policial daqui e em conjunto com a polícia local conseguimos encontrá-lo na tarde de sexta-feira (8)”, explica o delegado da 4ª DP Rodrigo Larizzatti (foto).
Por se tratar de uma cadeia cuja estrutura física é precária, a fuga de Roberto não foi difícil. O local não possui forro no teto e o telhado fica a mostra. Diante das circunstâncias, ele empreitou fuga retirando as telhas. Rindo da situação, ele explicou porque fugiu. “Não sou acostumado a ficar preso, por isso fugi. E também porque a cadeia era mal feita. Tinha que ter fugido mesmo”, justifica.
ENFRENTOU A POLÍCIA
Roberto foi preso, mas o irmão adolescente e traficante ficou em liberdade. Ele acumula várias passagens pela Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). Segundo o delegado Rodrigo Larizzatti, há alguns dias, ele apontou uma arma de brinquedo para policiais que faziam ronda pela QE 46. Para o delegado, a ação do rapaz poderia ter terminado em morte. “Diante do caso, os policiais poderiam ter atirado contra ele, em legítima defesa, uma vez que não havia como saber se a pistola era ou não de brinquedo. Fica um alerta às crianças que brincam esse tipo de brinquedo”, afirma.
Saiba Mais
– O suspeito vai responder pelo crime de homicídio qualificado.
– A pena prevista para este crime varia entre 12 e 30 anos de prisão.