Após três dias de greve, os metroviários chegaram a um acordo com o governo – para o alívio dos 130 mil usuários do sistema de transporte. Os trens voltam a circular normalmente a partir de hoje.
Os servidores reivindicam que seja feito um concurso público para suprir o deficit de pessoal. Em audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), entre o Metrô-DF e o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários (Sindimetrô), ficou decidido que deverá ser publicado, até 13 de dezembro, o edital do concurso para o provimento de 230 vagas, mais cadastro reserva.
A desembargadora Elaine Vasconcelos, responsável pela conciliação, determinou que se a categoria descumprir o acordo, terá de pagar uma multa de R$ 50 mil por dia. Caso o governo não cumpra o cronograma de publicação do edital, o valor da multa é de R$ 1 milhão.
Segundo o TRT, os valores das multas serão destinados a instituições a serem indicadas na próxima audiência de acompanhamento, marcada para 2 de dezembro. Ficou decidido ainda que, dos três dias de paralisação, haverá compensação de um dia de trabalho.
Retorno
A diretora de Assuntos Jurídicos do Sindimetrô, Tânia Viana, assegura que a categoria volta a trabalhar hoje. “A nossa intenção nunca foi prejudicar a população. Só que chegamos a um limite em que não tínhamos mais a quem recorrer. Queremos voltar a trabalhar e conduzir a população da melhor forma possível”, declarou.
O Metrô-DF informou que há ciência com relação ao atraso da publicação do edital do concurso público, aprovado ano passado, mas que a categoria sempre foi informada. “Ficamos satisfeitos com o acordo porque o nosso trabalho é servir bem o cidadão, que estava sendo prejudicado com essa greve. O importante é que isso chegou ao final”, disse a presidente do Metrô-DF, Ivelise Longhi.
Categoria calcula deficit
De acordo com o Sindimetrô, faltam funcionários para diversos cargos no Metrô. Somente dos funcionários que atuam diretamente com os usuários, haveria uma necessidade de cerca de 1,7 mil.
De acordo com a entidade sindical, na polícia metroviária, há hoje cerca de 140 servidores, enquanto o ideal seriam 640 agentes. Os agentes de estação são 166 funcionários, mas deveriam ser 750. Para o cargo de maquinista, são necessárias 300 pessoas. Atualmente, são apenas 150.
Administração
Para o cargo de assistente administrativo, o quantitativo ideal seria de 150. Para a manutenção, a necessidade é de 900 técnicos, mas hoje trabalham cerca de 60 nessa área. Hoje são três advogados, mas o Sindimetrô afirma que a companhia precisa de 15 profissionais, e para médicos do trabalho, são necessários quatro, mas há só um.