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Brasília

Hoje é o Dia Internacional da Mulher. Dia em que o mundo comemora a vitória feminina

Arquivo Geral

08/03/2011 7h08

Thatyane Nardelli

thatyane.nardelli@clicabrasilia.com.br

 

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, comemoram-se os direitos civis alcançados por elas ao longo da história.  Será mais uma etapa de luta por uma sociedade mais justa. A data também serve para a humanidade refrescar a memória e reverenciar quem se dedicou e ainda se dedica a assegurar uma vida mais digna a todas as mulheres.

 

No entanto, Sandra Nascimento, especialista em direitos humano, lembra que a data não é apenas para comemoração. “Não é de festividade, mas sim um marco, uma simbolização pela igualdade de homens e mulheres dentro da sociedade”, revela Sandra.

 

Muitas adoram acompanhar o que está na moda, encontram tempo para estudar e desempenhar de forma invejável o seu posto no trabalho. É sensual, gosta de agradar o parceiro e transforma-se na mãe coruja, ao primeiro bico feito pelo seu filho. Hoje elas estão à frente dos mais altos cargos políticos e até mesmo executivos. É certo que ainda não se encontram tantas delas nesses postos hierárquicos, mas a mulher sonha. E pode sonhar, porque a cada dia conquista mais um degrau de importância na sociedade.

 

Pioneirismo

 
Dona Natalina Marques chegou à Brasília com apenas 17 anos, quando a cidade ainda estava em construção. Hoje, com 65 anos, ela se recorda de como era difícil ser mulher num lugar que não havia policiamento, urbanização e uma baita dificuldade para entrar no mercado de trabalho. “A gente só podia andar acompanhada, era muito perigoso, na época as mulheres eram atacadas. Às vezes tínhamos que andar mais de 6 km para freqüentar a escola, porque quase não havia ônibus”, conta Natali, como prefere ser chamada.

 

A senhora estudou na Escola Normal, começou a dar aula para o supletivo, mas, “não conseguíamos formar turmas, então a gente misturava as séries. As aulas eram a luz de lampião, não havia quadros, era apenas uma tábua lixada, mas passamos por cima das dificuldades”, acrescenta. No entanto, Natali não abaixou a cabeça, graduou em mais dois cursos – letras e biblioteconomia — e conseguiu superar as adversidades. “Foi uma luta constante, não me deixo abater fácil, vou sempre atrás daquilo que quero. E tem mais, graças a Deus sempre fui muito feliz”, exalta a senhora.

 

A batalha continuou quando ela, naquela época, começou a dirigir. “Eram muitas piadas nas ruas. Se o pneu furasse então, era ainda pior, porque eles zombavam mesmo”, detalha dona Natali. Com a evolução, ela se viu obrigada a continuar batalhando. Alguns anos atrás ela teve que submeter a uma cirurgia, passou a ter dificuldade de realizar alguns movimentos, mas nem assim perdeu o ritimo. “Sou muito ativa, fico procurando o que fazer, fotografava muito, mas de há algum tempo, tive que maneirar”, conta.

 

Tripla Jornada

 
A pesquisadora Tânia Fontenele escreveu seu livro – Mulheres no Topo de Carreira – entrevistando mulheres que ocupam os postos mais altos do governo federal, aqueles geralmente ocupados por homens. O estudo teve como base duas perguntas: como a mulher se sente ocupando o cargo e, como eles se sentem sendo liderado por uma mulher.

 

Em primeiro instante, Tânia nota que as mulheres têm certo medo de ocupar este espaço. “Elas mostram que tem que ter muita competência cotidianamente, e mais, precisa comprovar que possuem. E elas se veem cobradas, e, que qualquer falha pode ser mal avaliada”, completa a pesquisadora.  No entanto, são detalhistas e conseguem realizá-los de forma invejável.

 

Além disso, a mulher enfrenta a famosa “tripla jornada de trabalho”, onde precisam ficar se subdividindo: ser mãe, esposa e chefe. E mesmo com a ajuda de outras pessoas, ela vê a necessidade de estar presente. “Essas mulheres querem ter sua autonomia através do seu trabalho, querem falar: eu posso, eu consigo”, explica Tânia.

 

Pesquisa divulgada este mês pela Secretaria de Trabalho do Distrito Federal revelou que para população feminina foram gerados 19 mil postos de trabalho, segundo a pesquisa, um volume suficiente para absorver a incorporação de 6 mil mulheres à força de trabalho local.

 

Um bom exemplo disso são as sócias Andrea Danielle e Samya Barrón, que trabalhavam com festas em casas noturnas há dois anos, até que decidiram ousar. Montaram um estabelecimento, assim poderiam realizar um trabalho com identidade,  a cara das duas. “Vimos que era inevitável investirmos em uma casa própria se quiséssemos que nosso trabalho andasse da nossa maneira, com a nossa cara”, conta Samya.

 

Dar cara a tapa no mercado de trabalho e investir em ideias inovadoras podem render bons frutos. A mulher tem conseguido ocupar cargos que antigamente só era ocupado por homens, certo que ainda existe o preconceito, elas não cansam de investir. “O preconceito vem de uma forma velada. Talvez achem que, por sermos mulheres, seja mais fácil nos enrolar, enganar”, conta Andréia.

 

Com um toque feminino elas fizeram o negócio decolar, mas para isso, foi preciso se dedicar inteiramente. “É o nosso negócio e, para que dê certo, temos que nos dedicar muito. Pensar em conforto, novidades, a melhor forma de atender ao público. Sempre pensamos na nossa casa noturna e como torná-la melhor”, acrescentam. As duas sobrevivem do dinheiro que a boate rende, felizes revelam: “Há três anos nos sustentamos com o dinheiro das festas que produzimos. Não podemos reclamar”.

 

Recomeço

 
“Ele me arrastou na rua, fiquei toda arranhada. Levava tapas, socos, chutes. Chegou a me ameaçar de morte”, revela Clarice*. Há dois anos ela decidiu que queria uma vida diferente, o relacionamento de seis anos, com o ex-companheiro, chegou ao fim. Com ele, a chance de recomeçar, olhar no espelho e não ter vergonha das marcas deixada pelo passado.

 

Clarice, hoje com 30 anos, teve um casamento doentio. O marido, dependente químico, aterrorizava com ameaças psicológicas e agressões físicas. Os filhos, na época um menino de apenas oito meses e a garota, com seis anos, presenciaram diversas brigas do casal. “Hoje meus filhos não querem vê-lo, criaram certo medo, uma mágoa”, conta ela.

 

O primeiro passo chegou depois de uma reconciliação do casal. Parecia tudo bem, mas, em instantes a vida voltou a ser um pesadelo após uma ameaça de morte. Clarice conseguiu amparo na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), e logo foi encaminhada para o Pró-Vítima, programa ligado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania. “Passei por atendimento, meus filhos também, hoje posso respirar mais tranquilamente”, desabafa ela.

 

Dados levantados nos primeiros seis meses de 2010 revelam que foram feitas 4.654 ocorrências. Sendo mais preciso, foram 775 por mês, 25 por dia e 1,07 por hora. A subsecretária de Proteção às Vítimas de Violência, Valéria Velasco, acredita que as mulheres estão perdendo o medo de denunciar as agressões sofridas entre quatro paredes. “A informação é fundamental, a mulher se sente segura em saber que justiça irá protegê-la”, revela a subsecretária.

 

Sancionada em 2006, a Lei Maria da Penha garantiu direitos às mulheres e motivou punições a homens agressores. Até então, não havia legislação exclusiva sobre o tema. Há quatro anos, as mulheres não podem mais desistir da investigação aberta contra o conivente na delegacia — sendo permitido recuar apenas na frente do juiz. “Esta lei é um divisor de águas. A mulher está descobrindo agora que ela não precisa passar por isso. Que não tem que apanhar, não tem que ser agredida e ficar calada”, acrescenta Velasco.

 

Atendimento :

Núcleos do Pró-Vítima no Distrito Federal

Núcleo Plano Piloto

Estação 114 Sul do Metrô

3905-8442 / 3905-1777

Núcleo Paranoá

Quadra 2, Conjunto C, Lote A

3905-4299 / 3905-1448

Núcleo SIA

SIA Trecho 8, Lotes 170/180

3905-1434 / 3905-7152 / 3905-1484

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