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Brasília

HBDF tratamento inovador para degeneração macular

Arquivo Geral

11/05/2012 21h10

Cerca de 4 mil pacientes já foram beneficiados com o programa pioneiro para o tratamento da degeneração macular relacionada à idade (DMRI) desenvolvido no Hospital de Base do Distrito Federal. Trata-se da aplicação de injeções intraoculares da substância ranibizumabe para usuários afetados pela doença. Principal causa de cegueira em pessoas acima de 55 anos, ela atinge mais de 30 milhões de pessoas em todo o mundo.

 

“O tratamento é o que há de mais recente na medicina e atende a cerca de 120 pessoas afetadas pela degeneração macular a cada mês”, afirma a médica Ana Paula Furtado Tupynambá, chefe da Unidade de Oftalmologia do HBDF. Segundo ela, o programa da SES é referência no Brasil e no mundo e demostra que a rede pública local pode ter serviços gratuitos de excelência. 

 

A degeneração macular é uma lesão que acomete a mácula, uma pequena área no fundo do olho na porção central da retina, causando perda ou embaçamento da visão central, enquanto a periférica permanece intacta. 

 

Os pacientes são atendidos todos os meses no ambulatório específico de degeneração macular no Hospital de Base. Para receber o tratamento, o usuário deve preencher alguns critérios e ser inserido no protocolo estabelecido e aprovado pela Secretaria de Saúde. A marcação é feita por meio do Sistema de Regulação (Sisreg). O acompanhamento acontece toda quarta-feira, a partir das 13h. 

 

O serviço, implantado em 2009, é pioneiro nesse tipo de tratamento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além do Distrito Federal, o serviço é disponibilizado apenas pelo Hospital das Forças Armadas (HFA), em Belo Horizonte e em Belém do Pará.

 

O medicamento usado pelo HBDF é o Ranibizumabe, que é uma parte de um anticorpo. O ranibizumabe se liga a uma proteína que está presente na retina (parte de trás do olho sensível à luz). O ranibizumabe reduz ambos, o crescimento e o vazamento de novos vasos no olho, processos anormais que contribuem para a progressão da forma úmida da degeneração macular relacionada à idade. O medicamento é administrado pelo oftalmologista no centro cirúrgico como uma injeção no olho (intravítrea) sob anestésico local.

 

Recuperação

O morador da Gama Francisco de Souza Brito, 72 anos, faz tratamento há seis meses no HBDF. Já recebeu cinco injeções e acredita que recuperou cerca de 70% da visão do olho direito. A função do olho esquerdo ele já havia perdido quando chegou ao hospital devido à DMRI. “Nem sabia que existia esse tratamento”, relata, explicando que teve conhecimento do serviço por meio de um médico, amigo da família.

 

Terezinha de Almeida, aos 61 anos e  moradora de Goiânia relata que não conseguiu o tratamento na  sua cidade  e chegou ao ambulatório do Hospital de Base há um ano e meio por meio  de   informações sobre o atendimento,  adquiridas pelo seu filho que mora aqui  no DF. Iniciou o tratamento com uma perda de 20% em ambos os olhos. “Percebi uma melhora na primeira aplicação. Hoje já consigo fazer muitas coisas que antes não fazia. Posso falar que tive uma recuperação de 60% nos dois olhos. Esse serviço é uma coisa maravilhosa, nos traz de volta  a alegria de  viver”  diz ela.

  

De Sobradinho, aos 72 anos, Amaury Faleiros estava em depressão quando descobriu o tratamento na Oftamologia do HDBDF,  segundo sua filha Eliane Faleiro que o acompanhava na consulta. “Ele não conseguia nem mesmo sair de casa,  ver televisão , caminhar sozinho, fazer pequenas coisas e se integrar socialmente com as pessoas tal o grau de transtorno causado pela doença”, explicou Eliane. A família toda está feliz com os resultados desde a primeira aplicação (que segundo ela custa em torno de R$ 5 mil) tornaria  inviável o tratamento tanto para eles  como para a maioria dos acometidos pela PMRI no Brasil”, finaliza.

 

Idade

Algumas pessoas idosas desenvolvem a degeneração macular como parte do processo natural de envelhecimento do organismo. Os dois tipos mais comuns de degeneração macular ligada à idade são a “seca”, também chamada atrófica, e a “úmida”, também chamada exsudativa. 

 

A DMRI exsudativa é a forma grave da doença e progride mais rápido do que a forma seca. Apesar de representar apenas 10% do total de pacientes com degeneração macular, a forma exsudativa é responsável por 90% das cegueiras causadas pela doença e podem rapidamente levar ao comprometimento da visão. A maioria dos pacientes apresenta perda grave da visão dentro de poucos meses a dois anos, após serem diagnosticados com a doença.

 

A perda da visão central pode prejudicar atividades como a leitura ou dirigir um carro. Com a progressão da perda visual, o paciente precisa de ajuda para desempenhar atividades da vida diária como fazer compras, cozinhar, utilizar o telefone ou atravessar a rua.

 

Fatores de risco

Apesar dos pesquisadores ainda não terem definido exatamente todos os processos envolvidos na origem da DMRI já se identificou alguns fatores que podem colocar a pessoa em maior risco de desenvolver a doença. O principal fator de risco é a idade. De acordo com algumas estimativas, 25% das pessoas entre 65 e 74 anos têm DMRI ou possuem risco elevado de desenvolver a doença. Entre as pessoas com 75 anos ou mais, 33% têm DMRI.

 

O fator genético também é muito importante. Pesquisas indicam que pessoas com história familiar de DMRI tem risco maior, o que sugere que alguns casos de DMRI são ereditários. Outros fatores ambientais e comportamentais que podem estar relacionados e estão sendo estudados: tabagismo, exposição à fumaça do cigarro (fumante passivo), gordura na dieta e superexposição aos raios ultravioletas. 

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