Anderson Souza
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A guerra entre gangues de São Sebastião parece resultar em uma chacina sem fim. Aparentemente sem motivo, os integrantes dessas gangues – pelo menos cinco gangues, segundo a polícia – se matam sem o menor receio de serem vistos por testemunhas. Mais um capítulo ocorreu na noite da última segunda-feira (13), por volta das 21h, quando um integrante de uma gangue conhecida como FRO (Facção Residencial Oeste) foi assassinado a tiros em uma via pública por um grupo rival na Rua 12, no bairro Vila Nova. Cinco homens, integrante da gangue das áreas Q2 e Q5, foram presos momentos depois suspeitos de terem cometido o crime.
O assassinato teria sido premeditado no mesmo dia em que foi cometido. “Eles decidiram matar algum membro da gangue rival ainda no cemitério, onde acontecia o velório de um integrante do grupo deles, que foi assassinado neste fim de semana”, conta o delegado-chefe da 30ª Delegacia de Polícia, Érito Pereira da Cunha. A vingança aconteceu devido ao homicídio ocorrido na madrugada deste domingo (12), por volta das 4h, no estacionamento do Ginásio Nilson Nelson, onde era realizado um show de rap. Lá, J.P.L., de 18 anos, foi baleado com dois tiros e morreu no local. Outro adolescente, de 16 anos, também chegou a se ferir na confusão, mas não sofreu nada grave.
Além desse caso, outras três pessoas que pertencem a essas duas gangues foram assassinadas somente neste mês. “Os homicídios se intensificaram no último dia 04, quando dois homens, cada um de uma gangue, foram mortos”, afirma Cunha. Nesse mesmo dia, outras três tentativas de homicídio ocorreram entre os grupos. De acordo com o delegado, essa matança entre eles faz parte de uma guerra antiga e esquecida. “Nem eles mesmos parecem saber o porquê dessa guerra. Quando questionados, dizem apenas que é algo muito antigo”, diz o delegado.
Para combater essas gangues, o delegado afirma que existe um alinhamento muito bom entre a Polícia Civil, a Polícia Militar, o Ministério Público e o Judiciário. De janeiro para cá, a polícia calcula a média de 25 homicídios consumados, sendo que pelo menos a metade tem relação com gangues e a maioria dos autores já estão presos.
No entanto, Cunha acredita que, em São Sebastião, esse tipo de situação não depende somente da segurança pública. “Tem que haver uma melhoria na infraestrutura e na educação, possibilitando um futuro para essas pessoas”, sugere. “Isso é um problema social existente na comunidade. As crianças crescem no mundo do crime e, infelizmente, seus heróis são os criminosos mais velhos”, lamenta Cunha.