Está aberta oficialmente a Operação Verde Vivo 2026 do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). A solenidade de lançamento do programa dos bombeiros foi realizada na Praça do Palácio do Buriti pela governadora Celina Leão. Esta é uma das principais ações de proteção ambiental do Distrito Federal.
Coordenada pelo CBMDF, a operação reúne diversos órgãos do Governo do Distrito Federal e parceiros institucionais em uma atuação conjunta voltada à preservação do Cerrado, proteção da fauna e da flora e redução dos impactos causados pelas queimadas.

O Distrito Federal já se encontra em estado de emergência ambiental, conforme o Decreto nº 48.599, de 14 de maio de 2026, vigente entre abril e dezembro deste ano. A medida amplia a capacidade de resposta dos órgãos envolvidos e reforça as ações preventivas diante do aumento do risco de incêndios característico dos meses de seca e baixa umidade.
A operação conta ainda com ações preventivas e educativas junto às comunidades urbanas e rurais, reforçando a conscientização da população sobre os riscos das queimadas irregulares e a importância da preservação ambiental.
Na ocasião, a atual chefe do Executivo destacou que este será o ano em que o Distrito Federal precisará trabalhar mais intensamente na prevenção. “Nós já temos uma informação de que este ano será o pior ano dentro de 149 anos. E o DF já sofre com o momento da seca, ou seja, é um pré-anúncio de que nós teremos um momento difícil”, afirmou. “No ano passado, quando nós tivemos problemas, muitos dos incêndios eram criminosos ou por falta de cuidado”, frisou. Ela pontuou que, para este ano, o trabalho de prevenção é reforçado e integrado com várias secretarias. “Para que a gente tenha, por parte da população, a consciência; mas o Corpo de Bombeiros está preparado e mobilizado para esse momento.”
Para investigar e coibir incêndios criminosos, Celina apontou que há dois programas funcionando: o compartilhamento integrado de monitoramento das áreas do DF Legal e Secretaria do Meio Ambiente com o Ibram e o Corpo de Bombeiros; e o programa DF 360 Graus de monitoramento de câmeras. “Nós temos também uma atuação muito forte da Polícia Civil que aconteceu no ano passado, que já está nesse processo de inteligência também para fazer esse mapeamento desse tipo de situação. Ou seja, nós já avisamos à população que temos um monitoramento que está funcionando e que as pessoas não cometam esse tipo de crime, porque não vai ficar impune aqui no Distrito Federal. Nós iremos combater esse tipo de crime”, salientou.

Alinhada ao alerta do comandante-geral do CBMDF, coronel Moisés Alves Barcelos, Celina reforçou que as previsões climáticas ligadas ao El Niño indicam que este “será o ano mais difícil de combate ao incêndio” na região, devido às duas estações muito marcadas do Cerrado: a temporada das águas e o período da seca e fogo.
Em seu discurso, Celina fez um apelo urgente à imprensa, além de estender o pedido à população para evitar as queimadas provocadas pela falta de cuidado ou de forma intencional e criminosa, como ocorreu no ano anterior. Segundo ela, mesmo que o DF conte hoje com um sistema de monitoramento online moderno e integrado com o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e a Secretaria de Meio Ambiente, a tecnologia não é suficiente para conter o fogo, pois é apenas um instrumento que emite alertas. “O que eu preciso é da sociedade consciente de que esse ano será um ano difícil para nós”, enfatizou.
A aposta de Celina é na conscientização e na educação para combater os incêndios e cuidar do meio ambiente. A governadora convocou a Secretaria de Educação a liderar o que ela considerou como a maior campanha de prevenção dentro das escolas públicas do DF, apostando nos jovens e crianças como os grandes educadores de suas próprias famílias. De acordo com a governadora, vai ser reforçada nas escolas, para as crianças e as famílias, uma orientação quanto ao combate ao fogo. “Porque é um ano em que a gente precisa contar também com a parte educativa para que essa conscientização seja disseminada.” Ela agradeceu a presença da imprensa na cobertura do lançamento do Verde Vivo, já que o alerta para este ano é que o El Niño vai ser o pior em 149 anos. “O Corpo de Bombeiros está pronto, mas a sociedade também precisa fazer a sua parte”, finalizou.
Celina garantiu ainda que toda a estrutura de segurança pública, incluindo a Polícia Militar do DF, dará total suporte aos bombeiros. Ela também se colocou à disposição para ampliar os investimentos na linha de frente, se necessário. “Se nós precisarmos ampliar o número de cotas para botar mais homens e mulheres nas trincheiras, nos campos de prevenção, no campo de batalha, eu tenho certeza que nossa equipe está preparada para cuidar da nossa sociedade”, concluiu.
Dedicação ao combate contra incêndios
O comandante-geral do CBMDF, Moisés Alves Barcelos, afirmou que essa operação é realizada desde 1999. Ele destacou que, em Brasília, as estações são divididas praticamente em dois períodos: o de seca e o de chuva. “E ao longo dos anos, a gente vinha sofrendo muito com esse período de estiagem. Então, dedicamos uma operação especificamente para os incêndios florestais”, explicou.
Segundo o comandante Barcelos, o expediente administrativo foi dividido em cinco grandes alas que estarão em pronto-emprego diariamente. “Somando ao nosso serviço ordinário, são quase 600 homens, mais 200 homens prontos em 12 postos dedicados exclusivamente aos incêndios florestais. São mais de 35 viaturas, dois aviões, um helicóptero e quase 1.500 homens, caso seja necessário, em pronto-emprego nos incêndios florestais no DF”, descreveu.

Antes do lançamento oficial, a Operação Verde Vivo já estava ativa desde março. “Trabalhamos na prevenção, agora estamos entrando na fase crítica.” Barcelos destacou ainda que a maior causa de incêndios no DF é a ação humana, seja por dolo ou por culpa. “O ser humano é responsável por quase 100% dos incêndios florestais dentro do território do Distrito Federal. Por isso, eu preciso muito do apoio dos senhores, da comunidade e da sociedade. Que os senhores estejam atentos: não coloquem fogo, não provoquem incêndios, porque depois que foge do controle, a gente não sabe onde vai parar.” Ele lembrou também que, em 2025, três pessoas faleceram devido aos incêndios florestais. “Uma fogueira inocente pode acabar com uma vida, pode acabar com uma família. Então, vamos ter consciência. O Corpo de Bombeiros está pronto, mas o bom seria se a gente não precisasse ir para nenhum incêndio florestal.”