Com o advento da pandemia e impactos trazidos por ela em diversas áreas, se questionar sobre o futuro se tornou um hábito involuntário. Muitos setores enfrentaram dificuldades e a cultura, sem dúvidas, foi um dos que mais precisou se reinventar. Pensando, justamente, em qual será o destino da agenda cultural do DF no cenário pós-crise, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (Secec-DF), junto com o Conselho de Cultura do Distrito Federal (CCDF) irão promover a 5ª Conferência de Cultura, de 12 de novembro a 5 de dezembro, com o tema “A Cultura no Pós-Covid”.
“O objetivo maior deste evento é estabelecer diretrizes e orientações para elaboração ou aperfeiçoamento dos Planos de Cultura. O DF já tem um Plano Distrital, que, por ocasião das conferências, é atualizado e aprimorado”, explica a presidente do Conselho de Cultura do Distrito Federal, Beth Fernandes. Totalmente online, o evento tem parceria com a Organização da Sociedade Civil (OSC), Luta Pela Vida, o evento terá duas fases: pré-conferências, que ocorrem de 12 a 19 de novembro, e conferência, de 3 a 5 de dezembro. Esta, por sua vez, visa reunir o maior número possível de profissionais que, diariamente, estão envolvidos com o fomento da cultura brasiliense, como artistas, produtores, empresários, representantes de governo e a comunidade, além do Conselho de Cultura do DF, responsável por estabelecer os eixos de discussão.
Diante de um momento especial para a humanidade, em que se buscam novos caminhos de expressão e convivência, e no qual a Cultura é fundamental, Beth relembra que a capital não promove conferências distritais de cultura desde 2015. No plano federal, também, não são realizadas há algum tempo. “Normalmente, o responsável por trazê-las, era o Ministério da Cultura. A partir da marcação da Conferência Nacional de Cultura, os estados e municípios realizavam suas conferências para trazer subsídios para o nacional. “A Cultura no pós-covid transcende discussões sobre economia, sobre o dia a dia das pessoas. É um tema que perpassa pela mudança bastante radical que está ocorrendo no mundo todo depois da pandemia da covid-19”, argumenta a gestora.
As Conferências de Cultura são um instrumento em que a sociedade civil participa, junto com o Governo, da elaboração de diretrizes para os Planos de Cultura dos municípios, estados, Distrito Federal e do nacional e, por esse motivo, tratam-se de eventos extremamente necessários. “Tais encontros são importantes pois fazem, a partir da definição temática, um diagnóstico do que estamos vivendo e apontam o que é desejado para o futuro. Temos propostas para os próximos dois ou três anos, pelo menos, de como é a cultura que desejamos para o DF”, revelou a dirigente.
O público da Conferência de Cultura, conforme salienta a presidente, é toda a comunidade cultural, que contempla desde o usuário da cultura, o cidadão comum, até os fazedores de cultura e os gestores públicos. Sem esquecer, evidentemente, dos conselheiros regionais de cultura e dos conselheiros de cultura do Distrito Federal, que são instâncias de participação social na gestão cultural do DF. “Como não se realiza a Conferência no DF desde 2015, e esta é a primeira vez que se faz no modelo virtual, nossa expectativa é que tenha uma grande adesão. Serão realizadas oito pré-conferências, englobando todas as regiões administrativas abrigadas em oito macrorregiões, conforme está a nossa geopolítica no DF”, expõe Beth.
A arte como melhor amiga
Entre outros objetivos da 5ª Conferência de Cultura do DF, estão a busca pela valorização da diversidade de gênero, raça e social, o fortalecimento de políticas públicas voltadas à cultura/sustentabilidade, investimentos no Sistema de Arte e Cultura do Distrito Federal, entre outros tópicos. “Houve uma mudança nas relações, nos modos de expressão e, também, no fazer e no receber cultural. Esse setor tem um papel fundamental nesse novo mundo, pós-covid”, declara a presidente do Conselho. “Essa pandemia, que dizimou mais de cinco milhões de pessoas no mundo, impôs reflexões, novos saberes, novas formas de expressão e nos impõe, agora, como queremos viver o futuro”, conclui.
Para o cantor e compositor Thiago Freesom, que estará presente no encontro, o setor cultural e do entretenimento foi um dos que mais sofreram impacto desde o ano passado, momento em que a crise sanitária se instaurou. “Ela congelou, paralisou os trabalhos, e mudou o cenário”, diz. “Temos que discutir, ver qual foi o prejuízo e o que podemos melhorar. Há famílias que dependem desse setor para se alimentar e ter uma condição de autossustento, no mínimo, agradável”, comenta, destacando a importância do evento.
Aos 33 anos, o artista pretende ajudar os demais presentes com toda sua experiência na pandemia. “Por incrível que pareça, como artista, consegui crescer minhas redes sociais e meus streamings a ponto de gerar uma renda e fazer um portfólio grande”, compartilha. Agora, com o retorno gradativo, o morador do Parkway acredita que conseguirá entrar em outros eventos e projetos, a fim de descobrir novos horizontes e ganhar mais retorno através de sua arte. “Todo mundo viu que a música, os filmes, e tudo que envolve o universo artístico, assim como os próprios videogames, desenhos animados e streaming tem seu valor. Começaram a valorizá-los porque eles foram seus companheiros”, finaliza Thiago.