A situação da saúde pública no Brasil tem sido um grande problema para a população. Faltam médicos, hospitais e equipamentos e sobram pacientes aguardando consultas, exames e cirurgias nas salas de espera do SUS. Na área oftalmológica, a situação é ainda mais complicada, pois algumas doenças, como a catarata – que tem tratamento e pode ser revertida por meio de cirurgia – ainda é a principal causa de cegueira em nosso país. Para o paciente de baixa renda, a operação de catarata na fila dos hospitais públicos pode ser um calvário que, em média, ultrapassa dois anos de espera.
A dona de casa Divina Aparecida, 68, que mora em Núcleo Bandeirante, sabe bem o que é isso. Aos pouquinhos, ela começou a perceber que mesmo as tarefas do dia-a-dia estavam ficando complicadas. O diagnóstico: catarata. Após quatro anos de espera na fila do Hospital de Base pela cirurgia, sem qualquer posição, a solução foi a Fundação Regional de Assistência Oftalmológica (FRAO). Em menos de 30 dias após inscrita para a cirurgia, dona Divina comemora a recuperação da visão. “Antes, cuidava da minha casa com dificuldade, não conseguia cozinhar nem passar roupa. Agora, vejo tudo direitinho, não preciso da ajuda de ninguém para cuidar das minhas coisinhas. Sou muito exigente e gosto de tudo do meu jeito. Fazer esta cirurgia foi a melhor coisa pra mim. Ainda bem que encontrei a FRAO porque se dependesse do governo estava até hoje na fila para a cirurgia”, conta ela.
Zeine Helena, de 42 anos, moradora de Samambaia também respira aliviada. Copeira na Defensoria Pública, ela percebeu que a catarata estava prejudicando a sua vida. “Ir para o trabalho já estava complicado, porque como não conseguia enxergar direito, muitas vezes não sabia se era o ônibus certo e tinha de perguntar às pessoas. No serviço, muitas vezes eu quebrava o copo porque não via onde ele estava, ficava com medo de entregar o café e derramar na pessoa. Até procurei outras clínicas, mas era muito caro”, explica. Foi quando Zeine descobriu a FRAO, por indicação de uma amiga. Em poucos dias fez os exames e estava pronta para fazer a operação. “Os médicos me trataram muito bem, me orientaram o que fazer e em cinco dias voltei a trabalhar e estou enxergando tudo. Foi ótimo tanto que já indiquei muita gente a ir na FRAO porque lá eles resolvem mesmo e rápido. Não é como em hospital público que você fica anos na fila esperando por atendimento”, ressalta Zeine Helena.
A Fundação Regional de Assistência Oftalmológica – FRAO, entidade mantida pelo Hospital Oftalmológico de Brasília. Iniciativa do oftalmologista Canrobert Oliveira, fundador do HOB, a FRAO nasceu em 1986 e, desde então, lidera as estatísticas de recuperação ou melhoria da visão de pessoas carentes que sofrem desnecessariamente de problemas oculares tratáveis cirurgicamente. “A FRAO busca recuperar e melhorar a visão das pessoas carentes. Esta é a nossa contribuição para que todos possam ter uma vida mais digna e condições de concretizar seus sonhos”, explicou o dr Canrobert.
Por ser uma fundação, a entidade oferece tratamentos a preços reduzidos e, em alguns casos, gratuitos em pacientes de baixa renda que não conseguiram realizar cirurgias em hospitais públicos. De janeiro a agosto de 2013, foram 506 cirurgias realizadas, em sua maioria de catarata. Cerca de 90% dos pacientes que recorrem ao tratamento na FRAO têm renda familiar comprovada de um salário mínimo. Mais da metade esperava há cerca de dois anos na fila do SUS. A maior parte dos pacientes atendidos vem de cidades como Planaltina, Ceilândia, Sobradinho e Gama.
Como Funciona a FRAO
A clínica da FRAO conta com três consultórios que possibilitam a realização de até 96 consultas por dia (2.000 consultas por mês), com duração média de 15 minutos cada.
Para ser atendido pela FRAO o paciente deve marcar a consulta pelo telefone. Os pacientes passam por consulta com o especialista de acordo com o problema visual relatado. A clínica atende catarata, glaucoma, refrativa, retina e clínica oftalmológica.
No dia da consulta, após o preenchimento do prontuário, o paciente passa por exames de autorrefração e lensometria. Nos três consultórios oftalmológicos dotados de equipamentos de tecnologia avançada, os oftalmologistas colaboradores da FRAO realizam consultas gratuitas para diagnóstico de problemas visuais que possam ser restaurados ou melhorados através de tratamentos cirúrgicos.
Depois da consulta, é feita uma avaliação socioeconômica com um assistente social, que analisa os documentos de renda e de despesa do seu grupo familiar. Com essas informações, é feito o cálculo do Índice de Carência, metodologia de avaliação especialmente desenvolvida pela FRAO. Em alguns casos, pode ser necessária a visita do assistente social à residência do paciente para comprovação das informações. Se preencher os requisitos, o paciente é encaminhado para o HOB onde fará os exames oftalmológicos pré-operatórios gratuitos nos modernos equipamentos do hospital. Exames pré-operatórios de sangue e risco cardiológico são realizados em clínicas particulares ou em hospitais do governo, a critério do paciente. As cirurgias são feitas a um preço simbólico ou gratuitamente, de acordo com a avaliação socioeconômica.
Todas as cirurgias da FRAO são realizadas no centro cirúrgico do Hospital Oftalmológico de Brasília, um dos mais modernos do país, em tratamento cirúrgico idêntico ao prestado a pacientes particulares e a pacientes de planos de saúde.
As consultas de revisão pós-cirúrgicas também são realizadas gratuitamente pelos oftalmologistas nos consultórios FRAO, até que o paciente receba alta cirúrgica.
Pacientes da FRAO em números:
Nas cirurgias de catarata:
– 75% são aposentados
– 81% apresentavam indicação cirúrgica, ou seja, já apresentavam a doença em estágio mais avançado;
– 87,3% apresentam 01 salário mínimo como renda familiar;
– 51,51% esperaram na fila do SUS por até 02 anos;
– 93% não tem convênio;