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Brasília

Funcionários de empresas de ônibus iniciaram manifestação, que acabou em vandalismo e agressões

Arquivo Geral

25/06/2013 10h00

O que era para ser um manifesto pacífico de 600 rodoviários se transformou em um cenário de guerra. O palco foi a Rodoviária do Plano Piloto, onde pelo menos três ônibus foram incendiados e  18   depredados. A princípio, o vandalismo teria partido de passageiros que aguardavam os ônibus – nenhum saiu do terminal enquanto a manifestação durou. Às 15h30,  rodoviários bloquearam as   entradas e saídas da Rodoviária. O motivo: a categoria teme que, com a troca das  empresas, após a licitação dos ônibus, os trabalhadores fiquem desempregados.

 

Ataques

 

Em pouco tempo,   vândalos    começaram a atacar os ônibus. Primeiro foi um coletivo da Viação Pioneira que faz a linha   do Paranoá. Após quebrarem os vidros e arranharem a lataria, o veículo foi incendiado. Depois foi a vez do coletivo da  TCB,  que vai para o Shopping Popular. Ele foi depredado e teve o interior queimado. Por último, outro veículo de   empresa não identificada também foi incendiado.

 

O fogo  foi rapidamente controlado pelo Corpo de Bombeiros. Contudo, o quebra-quebra tomou conta do terminal. Uma multidão corria.

 

O ato amedrontou os comerciantes da área, que rapidamente começaram a abaixar as portas com pressa. Os estabelecimentos, inclusive, serviram de  refúgio para crianças, adultos e idosos. Uma lotérica e uma pastelaria foram depredadas. 

 

Os cerca de 120 policiais militares  eram vítimas de ataques com pedras e garrafas. Com isso,   spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo eram usados. Somente depois da chegada do Batalhão  de Choque houve um controle maior da situação.   Cinco pessoas foram detidas. Somente às 19h30,  o tráfego para os ônibus – superlotados – foi retomado. 

 

Demissões

 

Um dos integrantes do movimento, Valmir Correria, motorista há 13 anos, ressalta que a licitação feita para escolher as novas empresas que começarão a circular em breve ameaça o emprego dos rodoviários. Isso porque a maioria das empresas atuais deixará de circular. Além disso, mesmo que esses trabalhadores sejam recontratados pelas novas companhias, eles deixarão de ganhar uma gratificação por cada cinco anos de permanência na empresa. 

 

“As demissões vão causar um rombo muito grande para a classe trabalhadora. Queremos a garantia de 100% dos empregos, incluindo o pessoal da manutenção  e administração”, exige.

 

 

Pelo menos, 40 feridos

 

 

A ação provocou, pelo menos, 32 atendimentos de feridos pelo Corpo de Bombeiros até às 21h. A maioria, vítimas de pedradas e mal súbito por nervosismo, alteração de pressão e desmaios. Cinco pessoas foram levadas ao Hospital de Base e o Hran, como o cinegrafista da Rede Globo, Paulo Ozanan. Ele foi atingido por uma pedra na cabeça e foi levado inconsciente para o HBB. Oito PMs também ficaram feridos.

 

O protesto dos rodoviários começou às 15h30 na plataforma inferior. Eles reivindicam a manutenção dos empregos após a licitação do transporte público. A licitação tem sido tema de série de reportagens do Jornal de Brasília, que contesta a lisura, a partir de série de denúncias. 

 

Fiscal da Expresso Riacho Grande, Josivaldo Carneiro tentava negociar com os rodoviários. “Vão reduzir a frota de 3,1 mil para 2,6 mil. Aonde vão colocar os funcionários de 500 veículos? O processo foi com cartas marcadas e não vamos aceitar direcionamento das empresas.”

 

A deputada distrital Celina Leão foi à Rodoviária reunir-se com os manifestantes. Ela disse que no edital da licitação não há termo que garanta a permanência dos funcionários. “Não há compromisso escrito com os trabalhadores. Não existe convênio ou acordo coletivo que garanta o emprego deles”, falou. Segundo Celina, não há nem penalização jurídica para as empresas de ônibus que eventualmente demitam os rodoviários. 

 

Ela acionou o Ministério Público do Trabalho para audiência que viabilizar um termo antes das empresas assumirem a frota. A provável data do encontro deve sair hoje. “Essa é uma bandeira justa de reivindicações. O ato de um grupo insatisfeito é legitimo”, ressalta.

 

 

Empregos garantidos

 

Em reunião com o GDF, os representantes dos funcionários da Viplan e Riacho Grande, que temem ficar desempregados com a transição de concessionárias, conseguiram garantias de manutenção de emprego e proteção dos direitos trabalhistas de 15 a 18 mil rodoviários. O governo reconhece que a situação do transporte público é precária, mas que é importante garantir o emprego desses funcionários.

 

Em resposta à manifestação, as empresas terão representantes na comissão que acompanhará a transição dos colegas de trabalho e o governo irá assegurar que recebam os direitos.  Tanto a rescisão do contrato quanto a contratação ficam a critério de cada empresa. A frota atual tem 3.900 veículos, mas com o novo sistema só três mil ônibus novos estarão nas ruas e o governo prevê que 700 veículos da frota atual fiquem em operação.

 

Para o secretário de Transportes, José Walter, houve falhas na comunicação e o governo deve assumir compromisso de manutenção do emprego dos funcionários.  “Temos que respeitar as 15 mil famílias de trabalhadores que estão tensos.”

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