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Brasília

Funcionários da Novacap estão de greve há cerca de 15 dias e a população é prejudicada

Arquivo Geral

06/12/2010 14h33

Rayssa Tomaz

rayssa@clicabrasilia.com.br

 

Servidores da Companhia urbanizadora da Nova Capital – Novacap – estão de greve há quase quinze dias e a população de Brasília amarga os prejuízos da paralisação. O Sindicato da categoria e membros do Governo do Distrito Federal devem decidir nesta segunda-feira (6) se a greve termina ainda nesta semana.

 

O Sindicato dos Servidores e Empregados da Administração Direta, Fundacional, das Autarquias, Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista do Distrito Federal – Sindser, reivindica a antecipação de um reajuste 17,5% na folha de pagamento, além da correção do ticket alimentação e a realização de concursos públicos para o órgão, já que o último foi realizado há 14 anos atrás, em 1996.

 

Em meio ao impasse, o brasiliense convive com as ruas cheias de buraco, a  falta de manutenções nos jardins, gramados e bocas de lobo. Até as obras para a Copa do Mundo estão paralisadas. Como resultado dessa soma de fatores, os maiores prejudicados são os cidadãos.

 

Enquanto o sindicato e o GDF  buscam fechar acordo sobre o reajuste salarial, os buracos se multiplicam pelas vias do Distrito Federal. O órgão produz, diariamente, cerca de 120 toneladas de massa asfáltica que é distribuída para as administrações regionais e utilizada nas operações de tapa-buraco realizadas pela Novacap. A suspensão desse serviço tem causado dor de cabeça e gastos para os motoristas. De acordo com o consultor técnico de uma rede de oficinas do Gama, Elinaldo Souza, a situação piorou com a greve. “Todos os dias cerca de 30 carros chegam aqui para reparos por causa dos buracos. Os veículos caem nas crateras e ficam com problemas na suspensão, rodas amassadas ou pneus estourados”, comenta Souza.

 

Em alguns locais, a população providenciou medidas emergenciais, para evitar novos danos aos veículos. Foi o que aconteceu na frente da Área Octogonal Sul, onde foi colocado dentro do buraco um tronco de árvore e restos de uma placa. O funcionário público Veraldo Silva, 63 anos, morador da região, diz que é impossível passar ileso com tantos buracos. “Minhas filhas que dirigem há pouco tempo sempre acabam passando por cima e é um atrás do outro. As pessoas têm que dar um jeito e o galho foi a solução paliativa”, reclama Silva.

 

A greve está afetando também os freqüentadores de parques e moradores das superquadras. Daniela Vieira, moradora da Asa Norte,  tem um bebê em casa e reclama do aumento do número de mosquitos e da falta de cuidados no parque Olhos D’Água, localizado entre as quadras SQN 413/414. “O parque está largado. A vegetação está crescendo muito e ninguém está cuidando. É normal que, no período de chuvas, aumentem o número de insetos, mas com o mato a situação deve piorar ainda mais”, reclama a moradora.

 

Foto Kameni Kuhn

Outra moradora da Asa Norte, Mariana Lima, 25 anos, também percebeu a quantidade de mato nas quadras. Mariana, que também é estudante de psicologia da UNB revela que lá a situação é mais crítica. “Agora tem um monte de lixo preso no gramado e nas vegetações que não são podadas, acumulando água e servindo para a proliferação de ratos e insetos”, revela.

 

Outra questão importante levantada pela universitária é a segurança no local. “Eu tenho sorte de ir de carro, mas aqui na UNB sempre acontecem casos de estupro e assaltos. Com o mato alto, fica mais fácil a abordagem aos alunos que estão circulando a pé pelo campus”, ressalta Mariana.

 

Impasses

O GDF deve pedir à Justiça na próxima semana, que determine ao Sindser o cumprimento da lei que proíbe a interrupção de serviços essenciais à população e exige a manutenção de um percentual mínimo de funcionários em atividade.

 

O Coordenador de assuntos sindicais, Ilair Tumanero, acredita que não haverá a necessidade de contratações temporárias. “Ainda não cogitamos essa ação”, revelou Tumanero.

 

O sindicato informou que, como os serviços prestados pelo órgão não são considerados essenciais, não é obrigatório o número mínimo do quadro em atividade. Segundo o secretário-geral do sindicato, Cícero Rola, a greve, que tem aderência de mais de 85% dos servidores, vai ser mantida, entretanto os funcionários terceirizados devem continuar a executar seus serviços normalmente. “Se não tiver acordo, não tem trabalho! Porque o GDF vai gastar dinheiro com novas contratações ao invés de pagar os reajustes?”, explica Cícero.

Reajustes

Para resolver a maior greve da Novacap dos últimos 12 anos, na última sexta-feira (3) pela manhã foi realizada uma audiência pública pela Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (CEOF), iniciativa das deputadas Eliana Pedrosa (DEM) e Érika Kokay (PT) onde foram designados dois consultores da casa para acompanhar o processo de negociação entre os servidores e o GDF.

 

Além dessa audiência, a diretoria do sindicato se reuniu com o governador Rogério Rosso. Segundo o secretário-geral do Sindser, Cícero Rola, há expectativa que as atividades sejam retomadas ainda na próxima semana, após a negociação que será realizada na segunda-feira (6). “A expectativa é que cheguemos a um acordo que atenda às nossas necessidades”, explica Cícero.

 

Na manhã de sábado (4), foi realizada uma reunião mediada pelo técnico indicado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, na qual estavam presentes a diretoria do sindicato e os representantes do GDF. No encontro, foram esclarecidos números e avaliada uma nova proposta. Na segunda, a proposta será discutida novamente com Rosso.

 

Na terça-feira (7), a proposta aprovada pelas partes será apresentada aos servidores, durante uma assembléia marcada para as 10h00. “Esperamos que esses impasses cheguem ao fim de imediato”, finaliza Cícero.


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