A Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso do Distrito Federal (Funap-DF), vinculada à Secretaria de Justiça e Cidadania do DF (Sejus-DF), mantém desde 2024 uma oficina de artesanato voltada a mulheres trans privadas de liberdade no sistema prisional do Distrito Federal. A iniciativa já soma mais de 330 atendimentos e é oferecida nas unidades prisionais do DF que recebem pessoas trans privadas de liberdade.
O projeto oferece qualificação profissional, trabalho remunerado e fortalecimento da autoestima por meio de atividades como crochê, tricô, bordado, pintura e produção artesanal diversa. Segundo a Funap-DF, a proposta também contribui para ocupar o tempo durante o cumprimento da pena e ampliar as perspectivas de reinserção social e profissional após a saída do sistema prisional.
Os resultados apresentados pela fundação mostram 150 atendimentos em 2024, primeiro ano da oficina na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF), 126 em 2025 e 59 entre janeiro e abril de 2026. Além disso, o projeto permite remição de pena e remuneração por meio da Bolsa Ressocialização.
Entre os relatos de participantes está o de Ana Clara Rodrigues, 34 anos, que passou pelas oficinas de crochê e tricô enquanto cumpria pena e hoje afirma ter encontrado no artesanato uma fonte de renda extra e de realização pessoal. Ela relatou que a atividade a ajudou a enfrentar o período no sistema prisional e a acreditar em um recomeço.
A diretora-executiva da Funap-DF, Deuselita Pereira Martins, afirma que o projeto reforça o compromisso da fundação com a ressocialização humanizada e a inclusão produtiva. Já o secretário de Justiça e Cidadania interino, Jaime Santana, disse que a oficina representa dignidade, inclusão e esperança de um novo começo para mulheres trans privadas de liberdade.