Camila Costa
camila.costa@jornaldebrasilia.com.br
Com o custo da energia entre os mais caros do País, Brasília sofre constantemente com a falta de luz. Problema causado, principalmente, pela carência de investimentos no sistema de distribuição, ou provocado, em certa medida, pela mudança de rota dos recursos. Um exemplo disso é Corumbá IV. Eleita como a solução dos problemas em termos de geração, há dez anos, tornou-se apenas uma fonte de despesa para a Companhia Energética de Brasília (CEB).
Quando a usina foi criada, a prioridade era a geração de energia. A distribuição ficou à deriva, sem investimento e, a cada dia, menos preparada para atender a demanda da população do DF. Os desvios de recursos da CEB Distribuição para investimentos em Corumbá IV chegaram à cifra de aproximadamente R$ 140 milhões, o valor da energia produzida é 30% maior do que o preço de mercado e o alcance não passa de 200 mil habitantes – o equivalente a apenas a população de Samambaia.
Segundo o diretor do Sindicato dos Urbanitários do DF (STIU), Jeová Pereira, se o recurso previsto para aplicação na CEB Distribuição não tivesse sido usado em Corumbá IV, Brasília não precisaria passar por tantos apagões. De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em 2011, o brasiliense ficou sem eletricidade durante uma média de 15,68 horas, ultrapassando o período aceitável estabelecido pela agência, de 12,92 horas. Nesta semana, quem sofreu com os apagões foram os moradores de Águas Claras, que passaram horas sem luz.
O diretor conta que entre 2000 e 2001, a CEB ficou sem pagar a energia comprada de Furnas e pegava o recurso de arrecadação, que deveria ser injetado na distribuição, para investimentos em Corumbá. “O que aconteceu foi um desvio tanto do objetivo do contrato de concessão da CEB, quanto de recurso”, diz.
E por cerca de 12 anos sem investimento, os gastos aumentaram e, ao mesmo tempo, sucatearam a empresa, na avaliação de Pereira. “Foram desvios de recursos para outros fins, atípicos à concessão, investimentos extras, além de patrocínios, uma farra durante muitos anos”, lamentou.
Rubem Fonseca, diretor-geral da CEB, também culpa Corumbá IV e enxerga a possibilidade de começar a consertar a situação ainda este semestre. A solução seria a primeira sinalização do Comitê de Enquadramento e Crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à aprovação do empréstimo de R$ 609 milhões. “Foi exatamente Corumbá que desequilibrou a distribuidora e, com isso, a Aneel fez restrições e exigiu que o recurso fosse devolvido”, destaca.
Especialista em energia pela Universidade Católica de Brasília, Diego Nolasco explica que o problema não está na geração, mas na distribuição da eletricidade. “Temos energia, mas não temos estrutura para fazê-la chegar onde temos a demanda. A sustentação é que é fraca e as falhas são sempre movidas pela falta de investimento no sistema”, observa Nolasco