Menu
Brasília

Flerte virtual pelo celular

Arquivo Geral

15/10/2013 7h40

Há algum tempo as pessoas vêm se dividindo entre os mundos real e virtual em vários aspectos da vida. No quesito relacionamento não poderia ser diferente. Para dar uma mãozinha para quem está à procura de alguém e não consegue abrir mão da tecnologia, um aplicativo ajuda solteiros a formar um par perfeito que esteja no mesmo local, em um diâmetro de até 100 metros. O Tinder, criado em Los Angeles, já tem de 5% a 10% de crescimento diário no Brasil, marca pelo menos 150 mil “matches” (combinações) por dia e avalia aproximadamente 10 mil perfis novos diariamente. Os brasilienses têm aderido a ideia.

 

Com um design simples, o site de relacionamento portátil mostra as fotos das pessoas que estão próximas e dá duas opções de botão: o xis para negar ou o coração para dar uma chance. Se a mesma pessoa gostar do seu perfil e escolher o coração, o sistema abre uma janela de chat. A ideia é aproveitar que a pessoa está próxima e deixar o celular de lado para continuar o flerte ao vivo. Mas será que é assim mesmo que funciona? 

 

Pé atrás

 

A analista de sistemas Edilene de Souza, 30 anos, diz que o aplicativo é uma forma de saber quem está por perto. “Mas estou pensando em desistir porque acho muito impessoal. Morro de medo de estar sendo enganada por alguém ou até correr algum risco ao marcar um encontro.” 

 

Apesar do pé para trás, ela argumenta que essa é uma forma de conhecer gente sem sair de casa. “Por enquanto, ninguém foi desrespeitoso comigo, mas me parece que os homens nesse aplicativo estão com segundas intenções e isso me assusta um pouco”, explica. Mesmo assim, ela diz que até agora está gostando. “Tem homens bem bonitos e interessantes, só não tive coragem de levar para a vida real ainda”, brinca. 

 

Fragilidade

 

Para o especialista em novas tecnologias da Universidade de Brasília (UnB) Gilberto Lacerda, aparatos como esse expõem em excesso as pessoas, mas estão crescentes na sociedade exatamente por causa da fuga da realidade que propõe. “O relacionamento com o outro, apesar de ser a nossa tradição cultural, exige muita energia, porque você tem menos capacidade de usar máscara, de simular, e você se entrega. No virtual, você finge ser o que gostaria de ser. É mais fácil lidar com o irreal. É muito sedutor”, destaca.

 

No caso deste aplicativo, a exposição é ainda maior. Ele se conecta diretamente com suas informações do Facebook e disponibiliza as fotos do perfil do usuário e algumas informações básicas pessoais. “Para muitas pessoas, a internet gera um problema, sem falar na fragilidade. A única forma de garantir mais segurança é preservando a sua intimidade. Mas isso não é possível nessa nova mídia”.

 
Levando na brincadeira
 
Muitas das pessoas que usam o aplicativo ainda estão levando tudo na brincadeira e preferem manter-se por trás da telinha do celular. A exemplo de Atiely Freitas, 29 anos. Ela conheceu o aplicativo em uma balada quando viu todos os amigos entretidos no smartphone. “Estava no Rio de Janeiro com um grupo de amigos e eles estavam sempre rindo e mandando mensagens. Fiquei curiosa e decidi baixar também. A minha maior curiosidade era esbarrar com pessoas que já conheço”, comenta. 
 
Rapidamente, os encontros on-line já deram frutos e Atiely foi chamada para sair, mas preferiu não ir em frente por medo. “Não dá para confiar em todo mundo. Desde que neguei, ele não falou mais comigo”, conta. 
Por enquanto, o objetivo da jovem é conhecer gente nova e papear com homens interessantes, mas ela nem pretende levar adiante qualquer coisa. 
 
“Até surgir um papo legal demora muito. É meio estranho conversar com alguém que você não conhece. Fica preso naquelas informações básicas e depois acaba o assunto. Mas quem sabe depois de um tempo role alguma coisa”, prevê, esperançosa, Atiely Freitas. 
 
 
Dicas
 
Antes de marcar um encontro
 
1  Sempre pergunte nome completo, endereço e telefone e cheque estes dados. 
 
2  Procure verificar onde a pessoa trabalha ou estuda.
 
3  Sempre conte a alguém onde você está indo e quando voltará.
 
 4  Sempre marque encontro em um lugar público e, se possível, que você frequente e conheça pessoas.
 
5  Encontrem-se no local e não dependa da pessoa para voltar para casa.
 
6  Por mais simpática e agradável que a pessoa seja, nunca a leve para casa após o primeiro encontro. Lembre-se sempre que trata-se de um estranho. 
 

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado