Há algum tempo as pessoas vêm se dividindo entre os mundos real e virtual em vários aspectos da vida. No quesito relacionamento não poderia ser diferente. Para dar uma mãozinha para quem está à procura de alguém e não consegue abrir mão da tecnologia, um aplicativo ajuda solteiros a formar um par perfeito que esteja no mesmo local, em um diâmetro de até 100 metros. O Tinder, criado em Los Angeles, já tem de 5% a 10% de crescimento diário no Brasil, marca pelo menos 150 mil “matches” (combinações) por dia e avalia aproximadamente 10 mil perfis novos diariamente. Os brasilienses têm aderido a ideia.
Com um design simples, o site de relacionamento portátil mostra as fotos das pessoas que estão próximas e dá duas opções de botão: o xis para negar ou o coração para dar uma chance. Se a mesma pessoa gostar do seu perfil e escolher o coração, o sistema abre uma janela de chat. A ideia é aproveitar que a pessoa está próxima e deixar o celular de lado para continuar o flerte ao vivo. Mas será que é assim mesmo que funciona?
Pé atrás
A analista de sistemas Edilene de Souza, 30 anos, diz que o aplicativo é uma forma de saber quem está por perto. “Mas estou pensando em desistir porque acho muito impessoal. Morro de medo de estar sendo enganada por alguém ou até correr algum risco ao marcar um encontro.”
Apesar do pé para trás, ela argumenta que essa é uma forma de conhecer gente sem sair de casa. “Por enquanto, ninguém foi desrespeitoso comigo, mas me parece que os homens nesse aplicativo estão com segundas intenções e isso me assusta um pouco”, explica. Mesmo assim, ela diz que até agora está gostando. “Tem homens bem bonitos e interessantes, só não tive coragem de levar para a vida real ainda”, brinca.
Fragilidade
Para o especialista em novas tecnologias da Universidade de Brasília (UnB) Gilberto Lacerda, aparatos como esse expõem em excesso as pessoas, mas estão crescentes na sociedade exatamente por causa da fuga da realidade que propõe. “O relacionamento com o outro, apesar de ser a nossa tradição cultural, exige muita energia, porque você tem menos capacidade de usar máscara, de simular, e você se entrega. No virtual, você finge ser o que gostaria de ser. É mais fácil lidar com o irreal. É muito sedutor”, destaca.
No caso deste aplicativo, a exposição é ainda maior. Ele se conecta diretamente com suas informações do Facebook e disponibiliza as fotos do perfil do usuário e algumas informações básicas pessoais. “Para muitas pessoas, a internet gera um problema, sem falar na fragilidade. A única forma de garantir mais segurança é preservando a sua intimidade. Mas isso não é possível nessa nova mídia”.