Ana Paula Andreolla
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Levar flores, fazer uma visita, relembrar memórias de outrora e render homenagens aqueles que já se foram. Muitas pessoas tiram o dia de Finados, 2 de novembro, para ir até os cemitérios. E quem pensa em visitar os mortos pode se preparar para um movimento intenso. A estimativa é de que cerca de 800 mil pessoas circulem pelos cemitérios do Distrito Federal do dia 30 de outubro ao dia 2 de novembro, sendo 55% desse número concentrado no feriado. Mas será que os cemitérios do DF estão preparados para receber esse público? A partir de hoje, o Jornal de Brasília vai mostrar como está o estado de conservação desses locais.
GAMA
O Cemitério do Gama, por exemplo, há muito tempo deixou de ser um lugar de paz. Segundo os jardineiros, e até mesmo frequentadores, o local se tornou espaço para usuários de drogas fazerem suas pequenas festinhas particulares. E a paz, serve apenas para que jovens casais possam namorar sem serem incomodados. Alguns funcionários, inclusive, afirmam já terem sido vítimas de ameaças por parte dos usuários de drogas, que, segundo eles, no final da tarde já estão fora de si.
É o caso de uma trabalhadora do local, que preferiu não se identificar. Ela conta que o lugar preferido dos traficantes e usuários são as alas mais afastadas do cemitério, e diz que não respeitam o ambiente e nem o horário. Segundo ela, em plena luz do sol eles fazem ameaças para quem se aproxima e independente de a pessoa ser funcionária ou parente que foi visitar algum túmulo, eles se fazem soberanos na área. “Se drogam em cima dos túmulos e isso é uma falta de respeita tremenda. Não tenho coragem de passar nem perto quando eles estão lá, e isso acaba prejudicando o meu trabalho”, queixou-se.
O jardineiro Paulo de Aquino Braga, 80 anos, no entanto, denuncia que os usuários de drogas são o menor problema que ocorre no local. “Nesses dez anos que trabalho aqui, eu já vi de tudo. Bandidos se escondem aqui, e já vi casos de violarem túmulos e deixarem os ossos expostos. Eu não ligo para os usuários de drogas, se você não passa perto, eles ficam na deles, não mexem com você. Tem um filho de papai, por exemplo, que já foi preso várias vezes, mas o pai sempre banca a fiança. E quando ele está correndo da polícia, vem parar aqui”.
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