Menu
Brasília

Fercal: Nem tão independente…

Arquivo Geral

15/11/2013 7h00

Eric Zambon

Especial para o Jornal de Brasília


A Fercal está perto de completar dois anos como região administrativa (RA). Em fevereiro de 2012 a cidade foi desmembrada de Sobradinho II. Pela primeira vez, ela passa por uma pesquisa socioeconômica. Os dados foram reunidos na Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD), divulgados pela Codeplan.

 

Na região vivem 8,5 mil habitantes, vivendo em aproximadamente 2,3 mil residências. A maior parte da população, ou seja, 57% dos moradores estão na faixa etária dos 19 aos 59 anos. A curiosidade é que, ao lado de Taguatinga, Brasília e do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), a Fercal possui a maioria de sua população trabalhando na mesma cidade em que vive.

 

Pouca coisa melhorou na cidade desde que ela virou RA.  “Quando uma área vira região administrativa, as pessoas criam expectativas de que tudo vai mudar de uma hora para a outra. Mas não é bem assim”, observa o administrador da cidade, Alexandre de Jesus Silva Yañez.

 

Uma das principais reclamações dos moradores da Fercal é a falta de transporte público que atenda a demanda da população. “Ônibus passa em poucos horários”, lamenta o trabalhador de construção civil Maxwell Barros da Silva, 23 anos. Sua esposa, a dona de casa Taís Pereira, 21 anos, também reclama da demora. “Algumas vezes passam de duas em duas horas, mas tem vezes que parece que mudam o horário”, reclama.

 

O administrador da cidade diz que o problema deve ser resolvido  até 7 de dezembro. “Estamos incluídos na bacia 1 do transporte coletivo e a companhia que ganhou a licitação tem que colocar os ônibus para atender nossa região até esse prazo”, afirmou.

 

Energia

 

Outro problema é a falta de energia. Um ditado da cidade diz que “quando um gato urina em um poste, acaba a luz”. Alexandre diz que a questão está sendo tratada com a CEB e, inclusive, vários transformadores antigos da cidade já teriam sido repostos.

 

Saiba Mais

 

Nenhuma casa da região é regularizada. Mesmo assim, 31 moradores da Fercal declararam, durante a pesquisa, possuir a escritura definitiva de seus imóveis. 

 

A Codeplan acha que essas pessoas, por falta de instrução, confundem contrato de compra e venda com escritura.

 

Região é mais antiga do que Brasília

 
 
Criada por trabalhadores de uma indústria que se chamava Fercal (junção das palavras Ferro e Calcário), a atual RA 31 é mais antiga do que Brasília e nasceu como um vilarejo que dependia da usina. O tempo passou, mas a dependência continuou. As empresas de fabricação de asfalto Ciplan e Tocantins são as responsáveis por empregar mão de obra local e movimentar a economia. Por isso, é a região que mais cede impostos ao governo.
 
O benefício cobra seu preço e, devido à proximidade com uma fábrica, um posto de saúde e uma escola precisaram ser desativados na comunidade de Queima-Lençóis. O casal Maxwell e Taís, cuja mãe mora na região, se incomoda com a poeira. “É barro e pó e pedra para todo lado, moço. Sem contar o barulho desses caminhões”, diz Taís.
 
Sobradinho
 
A dependência do comércio e serviços de Sobradinho incomoda. Hospital, polícia, Detran, fórum… as burocracias do cotidiano exigem as visitas à cidade vizinha. O administrador garante que se preocupa com a questão. “As pessoas só acreditarão que a Fercal virou cidade quando resolverem seus problemas aqui dentro”, diz Alexandre Yañez.
 
 
Lugar de gente feliz
 
No quesito acesso à cultura e lazer, os dados são alarmantes: mais de 90% da população declarou não frequentar museus, teatros, cinemas e bibliotecas, e a escassez de atividades de lazer é reconhecida pela administração. “Conseguimos construir quatro parques infantis, praças e até fizemos festa de aniversário da cidade recentemente, mas nossa prioridade por enquanto é a infraestrutura”, diz o administrador regional Alexandre Yañez.
 
Mesmo com os problemas, nenhum dos entrevistados se demonstrou insatisfeito com a qualidade de vida na cidade. O aposentado Abílio Francisco dos Santos, 83 anos, e sua amiga, Luíza de França, vivem juntos na Fercal há quase 20 anos. “Aqui é melhor pra nós. Já conhecemos as pessoas, né?!”, relata Luíza, que caminha quase toda semana por uns 2km para visitar a sobrinha na comunidade Boavista. Abílio se orgulha de ter construído a casa onde mora. “Trabalhei com construção (civil) até 2002 e consegui fazer a casa pra nós”, diz, entre sorrisos.

 

Números

 

1,1%da população da Fercal completou o Ensino Superior

 

2,3 mil residências abrigam uma população de 8,3 mil pessoas

 

77% dos imóveis da região são próprios

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado