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Brasília

Família acusa Hospital do Gama de negligência no atendimento após morte de bebê

Arquivo Geral

23/07/2013 7h25

A pequena Laurinha, de 4 meses, como era carinhosamente chamada pelos familiares, vai ser sepultada no Cemitério da Cidade de Ocidental ainda hoje, dia em que comemoraria 5 meses de idade. O bebê Ana Laura Gomes Fonteles Silva deu entrada no Hospital Regional do Gama na sexta-feira à noite com sintomas de gripe. Após a realização de radiografias e de um exame de sangue, ela foi medicada e liberada em seguida.

 

“Os médicos disseram que era apenas um quadro de virose e que era para eu dar um xarope”, explica a mãe da criança, Ana Aline Gomes Fonteles, 17 anos.  Entretanto, ao chegar em casa, por volta das 3h de sábado, ela notou a piora da filha. “Ela não dormiu nada durante a madrugada e estava cada vez pior, então resolvemos retornar aos médicos já durante a tarde. Ela chegou ao hospital já muito pálida”, relembra. Além de febre alta, a criança apresentava dificuldade para respirar. Só então veio o diagnóstico de pneumonia.

 

Acusação

 

 Os pais acusam o hospital de negligência. “Deram uma superdosagem de medicamento a meu bebê”, conta a mãe, referindo-se às três gostas de Berotec que foram prescritas a cada 20 minutos, o que resultou em nove gotas em uma hora. “O coração dela acelerou tanto que os batimentos cardíacos chegaram a 215 por minuto”, informa o pai Bruno Jean Pereira da Silva, 23 anos. “Ela morreu nos meus braços”, lamenta. O pai conta que chamou então a equipe médica para reanimá-la. O bebê sofreu paradas cardíacas e morreu no hospital no fim do sábado. “Parece que ainda não caiu a ficha”, conta a mãe que está sob efeitos de calmantes.

 
 
 
Hospital não tinha vaga na UTI

 
 
Segundo a família, os médicos queriam até internar a criança na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), mas não havia leito disponível no hospital. “Eles tentaram, mas não conseguiram, porque tinha que verificar em outros hospitais”, admite a mãe da criança. “Avisaram que nós tínhamos que esperar. Se ela tivesse recebido o atendimento adequado, ela não teria morrido”, completa, indignado, o pai de Ana Laura.
 
 
Os pais vão entrar com ação contra o Hospital Regional do Gama. O caso já foi registrado   na 14ª Delegacia de Polícia, no Gama. “Sei que nada vai trazê-la de volta. Também não queremos dinheiro, nós só pedimos justiça e que não aconteça com outras famílias”, lamenta o pai. “Não vou sossegar até conseguir que algo seja feito para melhorar este atendimento público”, assume Bruno.
 
 
 
A avó da criança, a cozinheira Francisca Gomes Ferreira, 45 anos, conta que a pequena Laura era sua primeira neta. “Ela era vestida e tratada como uma bonequinha. Não sei como será daqui para a frente”, desabafa. A avó reclama ainda da má qualidade da saúde pública. “Somos tratados como se fôssemos nada. Minha neta foi mal avaliada, não deram a atenção que ela precisava. Era uma menina supersaudável”, diz.  
 
 
Manifestação
 
“A saúde está uma imundície”, define a avó de Ana Laura. Portando cartazes com dizeres retratando a indignação com o caso, os familiares entre eles a bisavó, tias e primas, se queixavam da saúde pública. “Queria ter visto minha neta dando seus primeiros passinhos. Agora, todo um futuro foi interrompido”, diz.
 

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