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Brasília

Faltam qualidade e planejamento nos recapeamentos asfálticos

Arquivo Geral

23/09/2013 7h02

As obras de recapeamento das vias públicas vêm causando transtornos à população do Distrito Federal. Apesar dos pontos positivos com a reconstrução do asfalto, a demora para a conclusão dos serviços e os constantes reparos têm prejudicado a vida de condutores e pedestres que precisam passar pelas principais vias da cidade.

 

Muitos reclamam que os horários em que os serviços são prestados prejudicam ainda mais o tráfego e causam grandes retenções, além de aumentar  o risco de acidentes. Já os especialistas chamam a atenção para a qualidade dos materiais usados e destacam a falta de uma gestão eficiente do governo.

 

No Parque da Cidade, por exemplo, os comerciantes alegam que as obras de recapeamento estão sendo refeitas o tempo todo. “A impressão que eu tenho é que começam, não terminam e voltam para fazer. Com isso, a gente não sabe quando vai terminar”, afirma Geovani Reis, balconista de uma lanchonete do local. Segundo ele, a demora para a conclusão também afeta o lucro dos comerciantes. “Com esse engarrafamento grande, os clientes desistem de vir ao parque e o nosso público fica menor”, acrescenta.

 

Nunca acaba

 

De acordo com o balconista, a população não sente  o reflexo dos investimentos feitos pelo GDF. “Por todos os lados há placas mostrando os milhões investidos, mas parece que isso é só na teoria. Para mim, a qualidade dos materiais que usam para esses trabalhos não é boa. Se fosse, não seria necessário refazer tanto”, ressalta. Ele destaca que as obras no local já duram três meses.

 

Outro problema desse recapeamento que nunca acaba é a falta de sinalização no local, já que as pistas só podem ser pintadas depois do trabalho finalizado. Até mesmo acidentes ocorrem por causa disso, como um, recentemente, em que dois carros bateram de frente no Parque da Cidade.

 

Horário inadequado

 

Na altura da 203 Norte, a situação é parecida. Condutores e pedestres tiveram que driblar a falta de sinalização e reclamam do horário em que os trabalhos são feitos. “Estou atrasada para ir trabalhar e inventam de fazer essas obras em pleno horário de pico. É muita falta de planejamento”, argumentou a condutora Maria das Graças, que passava pelo local.

 

Para quem depende exclusivamente da mobilidade e do tráfego para trabalhar, a situação é ainda mais delicada. “Com essas obras sendo feitas em horários totalmente inadequados, fica muito difícil para quem trabalha no trânsito. A impressão que eu tenho é que falta planejamento”, acredita o motorista Clener Oliveira.

 
Estrutura boa deve durar até 15 anos
 
 
Para o gerente de produção Fabiano Rodrigues Aguiar, os recapeamentos malfeitos causam inúmeros transtornos. “Quando chove, esse asfalto desmancha. Aí, precisa ficar fazendo ajuste”, declarou. Para ele, é essencial que se leve em consideração a durabilidade dos materiais utilizados.
 
Na opinião do gerente comercial Valter Albano, o serviço de recapeamento não cumpre a função prometida. “No fim das contas, acaba sendo somente um paliativo. E é o nosso dinheiro sendo desperdiçado”, constata. Ele diz, ainda, que outras questões precisam ser analisadas. “Não adianta passar esses materiais no asfalto e não cuidar  da boca-de-lobo, por exemplo”.
 
Durabilidade
 
O especialista em problemas de obras Dickran Berberian diz que a durabilidade do asfalto depende de inúmeros fatores. “Vai depender do número de veículos que passa pelo local por hora e do peso desses veículos. A estrutura boa é projetada para durar entre dez e 15 anos”, assegura.
 
 
Organização é essencial
 
O especialista em problemas de obras Dickran Berberian explica como funciona o processo de reconstrução do asfalto. “O ideal é começar refazendo a estrutura principal, que é a base compactada do solo. A parte mais braçal é o revestimento com piche e cimento, que o leigo acredita ser mais importante, mas não é”, analisa. Ele ressalta, ainda, a importância de manutenções periódicas. “É igual a dor de dente. É importante tratar no começo, antes da dor chegar. Caso contrário, vai ficar mais caro e o tempo perdido será maior”, compara o especialista.
 
Projeto detalhado
 
Segundo o especialista em engenharia e transportes Pastor Willy Gonzales Taco, é primordial que exista um projeto detalhado que envolva todos os setores. “É preciso detalhar o tempo de vida útil, a questão ambiental, mudança climática e fluxo das vias. Junto com isso deve haver um plano de informação, avisando a população que serão realizadas mudanças no trânsito”, orientou.
 
De acordo com ele, é importante que antes do início das obras sejam realizadas campanhas para orientar a população. “Isso é importante para a segurança dos condutores e dos pedestres e pode ser feito por meio de outdoor”, diz.
 
Apoio
 
Segundo Pastor Willy Gonzales,  as obras devem ser conduzidas em horários com pouco movimento. “Além disso, é importante que exista uma coordenação institucional que conte com a participação da Polícia Militar e do Detran.”
 
Material faz a diferença
 
O engenheiro civil Márcio Brito de Alencar destaca que o sistema de pavimentação é composto por quatro camadas principais. “Dependendo da intensidade e do tipo de tráfego, do solo existente e da vida útil do projeto, o revestimento pode ser composto por uma camada de rolamento e camadas intermediárias ou de ligação”, indica. De acordo com ele, nos casos mais comuns,  é utilizada uma única camada de mistura asfáltica como revestimento.
 
Segundo o especialista, a precariedade do asfalto de alguns pontos da capital e a  frequente necessidade de reparos é consequência da utilização de material de baixa qualidade. “O manuseio da mistura dos materiais e a temperatura de aplicação também são fundamentais para a durabilidade da pavimentação”, diz ele. Para que o asfalto apresente durabilidade, a mistura composta por cimento asfáltico de petróleo, brita e finos não pode estar abaixo de 110°C.
 
PROGRAMA
 
– De acordo com o GDF, as obras de recapeamento fazem parte do Programa Asfalto Novo, que tem como objetivo a recuperação das vias urbanas de todo o DF até 2014. A primeira etapa do programa , que atenderá a região central de Brasília, tem previsão de ser concluída no fim do ano. Já a segunda e terceira etapas, que atenderão as outras cidades, deverão ser concluídas até dezembro de 2014.
 
– Segundo o governo, no momento, o programa Asfalto Novo está sendo executado na região do entorno do Estádio Nacional, avenidas W3 Norte e Sul, Eixo Monumental, L2 e L4, entrequadras das asas Sul e Norte, Parque da Cidade, Sudoeste e Octogonal. De acordo com a assessoria de imprensa, as obras no Parque da Cidade deverão ser concluídas até o final de outubro.
 
– Ao todo, serão investidos R$ 770 milhões na recuperação de mais da metade da malha asfáltica de todo o Distrito Federal.
 
 

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