Francisco Dutra
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Pneus furados, ferrugem e vidros quebrados dividem espaço com túmulos no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. Carros deixados nas pistas internas do cemitério despertam desconfiança e temor nos visitantes. Afinal de contas, os automóveis podem servir de abrigo para moradores de rua ou bandidos. No cemitério de Sobradinho, as sensações de insegurança e desconforto também são despertadas pela visão de pichações e túmulos quebrados.
Os veículos teriam sido levados para as dependências do cemitério de Brasília pelos jardineiros. Inicialmente, os carros seriam usados para transporte de equipamentos e água para a manutenção dos jazigos. No entanto, parte dos transportes foi praticamente abandonada. Enquanto outros encontram-se estacionados em frente aos túmulos e dificultam as visitas e preces de amigos e familiares nos locais de descanso.
“Tem carro que está parado aqui há mais de mês”, disse um jardineiro que trabalha dentro do cemitério. Pedindo para não ser identificado, o trabalhador contou que o problema do abandono de carros é relativamente novo. Sem condições ou vontade para concertar, os proprietários acabariam deixando os veículos sob sol e chuva para a ferrugem.
“Tinham que tomar providência. Se não presta mesmo, fazer o que? Tem que tirar”, opinou. O receio não se limita aos carros aparentemente abandonados. Veículos com possíveis condições de uso são estacionados bem ao lado dos túmulos atrapalhando as visitações. “Você não sabe quem pode estar dentro deles. Não era para esses carros estarem desse jeito dentro do cemitério”, reclamou a estudante Izabela Pericce, 21 anos.
Na palavras da dona de casa Edna Oliveira, 52 anos, os veículos deveriam ser devidamente padronizados. Segundo visitantes, também seria necessário que os automóveis fossem estacionados em um local apropriado e distante dos túmulos.
A quilômetros de distância, o supervisor de segurança, Gildene Ribeiro, 56 anos, vive a insegurança de outra forma no cemitério de Sobradinho. Ao rezar e recordar as memórias do filho e de um irmão, Ribeiro observa pichações avançarem sobre muros, túmulos e até uma placa de sinalização do cemitério.
Caminhando pelo cemitério também é possível observar túmulos quebrados e em um deles, encontrava-se uma garrafa de água. “Não me sinto seguro aqui. Você vê segurança na entrada, mas não vê mais para dentro”, reclamou. Para Ribeiro, a solução do problema não é complexa. Bastaria a abertura de quatro guaritas e a ronda constante de um segurança, seja de moto ou carro.
A reportagem também visitou o cemitério de Planaltina. No local, visitantes contaram que não sofrem de insegurança. Os poucos relatos de incomodo dizem respeito à furtos de itens dos túmulos. Segundo a empresa Campo da Esperança, responsável pela gestão dos cemitérios do DF, os jardineiros trabalham de forma autônoma, sem qualquer vínculo com a companhia. “Como se trata de uma área pública, a empresa concessionária não pode retirar os carros do local. Cabe aos órgãos governamentais competentes realizar esse trabalho”, completou em nota a Campo da Esperança.
Em relação às pichações, a administração garantiu que a manutenção é realizada continuamente, bem como a reposição e limpeza. No entanto, a empresa argumentou que a depredação não pode ser evitada, em função do acesso público e da grande extensão da área.