Leandro Cipriano
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Oapagão que afetou 183 mil consumidores de Brasília, na tarde de terça-feira, voltou a colocar em evidência um problema comum sofrido pelos brasilienses: a falta de energia. A dependência da Companhia Energética de Brasília (CEB) no abastecimento pela empresa Eletrobrás Furnas – responsável por 80% do sistema de transmissão de energia – já mostrou problemas anteriormente. De acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no ano passado o brasiliense ficou sem eletricidade durante uma média de 15,68 horas, ultrapassando o período aceitável estabelecido pela agência em 2011, de 12,92 horas. E esse problema é recorrente desde 2008.
Às 13h13 da terça-feira faltou energia em toda a Asa Sul, no Cruzeiro, Octogonal e SIA. A causa do apagão foi o rompimento de um dos cabos de transmissão que liga a subestação de Furnas à CEB. Apenas depois das 16h, Cruzeiro, SIA e Octogonal tiveram o fornecimento normalizado, quando a CEB promoveu um remanejamento da energia fornecida por outra subestação. No entanto, no Setor Comercial Sul, a eletricidade só retornou em torno das 18h. Transtornos no trânsito e nos hospitais da região tornou constante ao longo do dia.
Prejuízos
Para o comerciante Erlan José Santana, 44 anos, dono de uma lanchonete no Setor Comercial Sul, o dia sem energia foi totalmente perdido. “Não assamos nada, nem fizemos suco. Por dia, entregamos 300 salgados, mas sem eletricidade, tivemos um prejuízo de mais de R$ 500”, relata o comerciante.
Gerente de um supermercado na 303 Sul, Willian Lopes afirma que perdeu muitas vendas com o apagão. “É complicado, porque desde usar a balança até registrar os preços depende de energia. Sem falar que as uvas frescas o frango congelado estragaram”, explica.
Segundo o diretor do Sindicato dos Urbanitários do Distrito Federal (Stiu-DF), Jeová Oliveira, o problema do aumento no período sem energia é resultado de um sistema elétrico que há anos é deficitário. “Nesses casos, não temos formas alternativas para nos suprir, e isso não é de hoje. O sistema já foi construído dessa forma”, aponta Oliveira. “Além disso, a CEB está asfixiada em termos de recursos para os investimentos que o sistema requer, e a Aneel contribui só com multas”, completa.
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