O combate à corrupção, apontam empresários no Distrito Federal, é a principal medida governamental para melhorar a economia regional. De acordo com a pesquisa Sondagem Empresarial, feita pela PWC Brasil, para os gestores, o desvio de verba é o principal entrave no desenvolvimento da região. Porém, especialistas em gestão pública afirmam que, aliado a isso, o investimento incorreto do dinheiro público também coopera para o baixo avanço do DF. De acordo com eles, a ineficiência e a falta de capacitação são problemas graves.
“A gestão pública do DF, hoje, está próxima do caos. A situação das escolas, da saúde, da segurança mostra que a coisa piorou muito nos últimos dois anos e meio. Além da corrupção, falta competência”, avalia o especialista em administração pública da Universidade de Brasília (UnB), José Matias-Pereira. Para ele, mais grave que o desvio de verbas públicas é a aplicação dos recursos em “coisas inúteis para a população” e cita como exemplo a construção do Estádio Nacional, que não trará benefícios.
O resultado da baixa aplicação do dinheiro arrecadado pela população é o atual cenário das educação e da saúde. “São precisos médicos capacitados, professores capacitados. Enfim, funcionários capazes de atender às demandas da população. Precisamos andar a passos largos para que os problemas de saúde, educação e gestão pública sejam minimamente sanados”, diz o especialista em gestão da Upis, Carlos Alberto Reis.
É preciso priorizar ações
Ainda segundo o estudo, para que o crescimento da região possa chegar ao nível esperado pelos empresários, é necessário que o governo local priorize ações em outros dois segmentos: redução da carga tributária e investimentos em infraestrutura.
Para a empresária Levy Barbosa, da Decolando Turismo, a corrupção é, sim, um entrave para o empresário brasileiro. “O principal problema da corrupção é o descrédito que ela traz para as instituições e consequentemente a insegurança para os negócios e para a classe empresarial”, acredita.
Na opinião da empresária e eventóloga Joana Abrantes, a corrupção interfere direta e indiretamente nos negócios. “Isso mexe nos investimentos do governo e compromete a população em ascendência financeira”, avalia.
Para especialista, falta ética e moral
O cientista político Leonardo Barreto observa, ainda, que a corrupção vem para a construção de “facilidades”, como passar por cima de uma legislação burocrática. “É um mal do País, e não só do DF, que está vinculado à falta de transparência e eficiência do estado. E os investidores, os empresários, querem saber para onde está indo seu dinheiro, querem segurança nas suas relações. Isso acaba gerando uma falta de confiança”, analisa.
Revoltado, o engraxate Luis Carlos Alves, 44 anos, conta que sustenta três filhos com o salário do seu trabalho e tem dificuldades para sobreviver. Ele diz que isso é “resultado de um governo que só faz promessas”.
Para a doméstica Domelia Marques, 36, “falta mesmo um esforço conjunto para que o dinheiro seja corretamente investido”. Já o vendedor de pipocas Fábio Jesus Ferreira, 32, disse que considera-se uma “vítima da corrupção”. “Estudei apenas até a quarta série. Parei os estudos para ajudar minha mãe a sustentar a casa. Essa é a realidade do pobre no Brasil e ninguém, governante nenhum, faz nada para mudar isso. Somos frutos do que os políticos fazem”, desabafou.
Ainda de acordo com a pesquisa, o DF constitui hoje a oitava maior economia do país, com o maior PIB per capta do Brasil. Neste cenário, a construção civil é o mercado onde o consumidor investe mais. “Estamos numa região que tem tudo para avançar. Mas, infelizmente, falta ética e moral nos nossos gestores públicos. Problema esse que, aliado à má aplicação, só tende a nos atrasar”,diz José Matias-Pereira.
“O que temos assistido em Brasília é preocupante porque tem vazamentos de recursos não só pela corrupção, mas também pela ineficiência da gestão pública. Com secretários e administradores incapazes. Mais grave que a própria corrupção é a aplicação de recursos públicos em coisas inúteis para a população”, opina Matias-Pereira.