Luís Augusto Gomes
Uma dívida de R$ 80. Este foi o preço que o estudante Rogile Rodrigues de Jesus, 16 anos, pagou por sua vida. O adolescente, que cursava o Ensino Médio na Escola Classe 412, em Samambaia, e sonhava ser médico ou policial para ajudar a sociedade, foi assassinado com um tiro no pescoço. A Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito, preso por investigadores da 26ª DP (Samambaia), quarta-feira à noite, no Terminal Rodoviário do Setor O, em Ceilândia.
O assassinato ocorreu dia 14 de abril, por volta das 20h, na QR 411, próximo ao Centro de Ensino e a delegacia. Jesus estava uniformizado, conversando com três amigos, sentado no meio-fio. O suspeito, A.M.C.A., 18 anos, auxiliar de serviços gerais, chegou o cobrou o valor, segundo o delegado Raphael da Silva Seixas, por uma suposta dívida de droga. O estudante, que não tinha antecedentes criminais, falava ao celular e não teria dado importância à cobrança.
Testemunhas contam que, o suspeito o levantou pela camisa e disparou cinco tiros à queima roupa. Apenas um atingiu o pescoço de Jesus, mas foi fatal. Dias antes, o estudante havia sido flagrado com uma arma de brinquedo dentro da escola. A direção mandou chamar a mãe dele, mas o convite ocorreu no mesmo dia da morte. Maria do Rosário Rodrigues, mãe do adolescente, disse que ele chegou do trabalho, pegou a bicicleta e foi à escola. Encontrou amigos e logo depois ocorreu o homicídio. Ela e o marido não sabiam do suposto envolvimento do filho com droga. Na rua onde morava, os vizinhos afirmam que o adolescente era um bom garoto.
De acordo com o delegado Seixas, a polícia prendeu o suspeito depois de receber denúncias anônimas e ouvir testemunha oculares. Após o homicídio, A.M.C.A., fugiu de Samambaia, onde morava, e mudou-se para Brazlândia. Depois de ser identificado, a polícia pediu a prisão preventiva e o suspeito acabou preso. Seixas disse ainda que, o autor havia sido detido quando adolescente e esteve internado no Ciago, na Granja das Oliveira, no Recanto das Emas, por envolvimento em homicídio, roubo e tentativa de morte. Quando matou Jesus, estava em liberdade havia 45 dias. Agora foi indiciado por homicídio qualificado e pode pegar uma pena de 30 anos. “É um alívio saber que o assassino está preso. Assim como ele matou meu filho pode matar outras pessoas”, disse Maria do Rosário.