Gabriela Coelho
gabriela.coelho@jornaldebrasilia.com.br
A onda de violência que vem atingindo o Recanto das Emas tem deixado moradores e comerciantes com medo. Somente este ano, foram registrados 51 homicídios e tentativas, além de 400 roubos a comércios locais.
Uma empresária, de 27 anos, trabalha com cadeado no portão. A loja dela foi assaltada quatro vezes somente este ano. “A partir das 18h30 eu já deixo o portão fechado e não tem como ficar sozinha aqui. Quando não tem alguém para ficar como companhia, fecho a loja”, conta. A mulher afirma que já foi assaltada por um cliente. “Ele sempre vinha aqui e um dia, à noite, eu estava com um notebook e ele entrou na loja. Ele saiu de novo e falou com um colega que estava do lado de fora. De repente, levou o computador, que era de um cliente, e foi embora. Eu não posso fazer nada, uma vez que tenho dois filhos para criar”, disse.
A comerciante afirma que a maioria dos assaltos é feito por menores de idade. “Eles chegam com facas. Com isso, tomamos algumas estratégias para inibir. Chega uma hora do dia que o dinheiro do caixa é levado embora, então não compensa para os garotos roubarem. Além disso, disfarçamos com os produtos para que não chamem tanta atenção”, afirma.
Perigo
A manicure R.F.S., 30 anos, já foi assaltada no meio da rua, por volta de 14h30. “Eu ando aqui com a bolsa na frente do corpo e ainda dou voltas com a alça no braço. Ainda mais nesses comércios grandes, que muitas pessoas andam, é ainda mais perigoso. Eles pegam nossos pertences e a gente só percebe quando está muito longe”, afirma.
Para o comandante do 27º Batalhão da Polícia Militar, Edgar Rojas, o trabalho da polícia na região é satisfatório, mas existem algumas dificuldades. “Estamos falando de uma cidade grande, com cerca de 170 mil habitantes. Uma das dificuldades que encontramos é o trabalho repetido com menores de idade. A gente apreende e dias depois eles estão soltos, cometendo os mesmos atos infracionais”, afirma.
Segundo ele, dois postos comunitários estão instalados e dez viaturas fazem ronda diária na cidade. “No Recanto das Emas, temos a integração com a Polícia Civil e os bombeiros. Apesar das estatísticas, é uma cidade que tem polícia. Estou satisfeito com o trabalho da minha equipe aqui”, afirmou.
Um outro problema levantado pelo comandante é a abertura de bares sem alvará na cidade. “Em cada esquina é possível ver um boteco irregular. O cidadão se embriaga e acaba cometendo crimes dos mais variados tipos. A polícia não tem meios de estar em todos os cantos da cidade”, afirma o comandante. Para ele, tráfico de drogas é o grande incentivador dos crimes que amedrontam a região.
Leia mais na edição impressa desta terça-feira (08) do Jornal de Brasília.