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Brasília

Esporte pela cidadania

Arquivo Geral

07/09/2013 9h25

No Brasil, a luta olímpica ainda não é um esporte popular, mas tem lá os seus representantes. Em Brasília, apenas duas academias oferecem a modalidade, segundo a Confederação Brasileira de Lutas Associadas. Mas, pelo menos por aqui, a realidade pode mudar graças a implantação de um projeto que leva a luta às escolas públicas do Distrito Federal. O responsável é o educador físico José Neto, 34 anos, com o Luta pela Cidadania.

 

José Neto, coordenador do projeto, conta que a ideia surgiu em 2004. “O objetivo é formar cidadãos e atletas de nível olímpico. Atualmente, implementamos o projeto em duas escolas do DF: no Centro de Ensino Fundamental 02, no Paranoá, e na escola Zilda Arns, no Itapoã”, conta. Para ele, o esporte ainda previne a má conduta entre jovens com agressividade gratuita. 

 

José neto é campeão sul americano do muay thai e campeão brasileiro de luta olímpica. 

 

Boas notas

 

A iniciativa é pioneira no desenvolvimento da luta olímpica no DF. Podem se candidatar crianças de 12 a 14 anos. “Temos meninos e meninas  participando. O principal requisito para fazer parte dos nossos grupos é ter boas notas e responsabilidade”, indica José Neto. 

 

Para ele, a prática da luta olímpica vai além de um esporte no tatame. Trata-se de respeito, educação e disciplina. “É uma satisfação maior do mundo fazer parte desta história na vida deles, já que sempre tive o desejo de levar a luta olímpica para as escolas”, ressalta.

 

Como o projeto está sendo bem aceito nas escolas onde já foi inserido, a ideia do educador físico  é expandir para outros colégios. “Trabalhamos para alcançar um nível de qualidade internacional. Os professores têm tanto formação acadêmica quanto técnico-pedagógica. Queremos trazer o modelo americano e do leste europeu através de um trabalho de excelência”, completa.

 

Carlo Prater, 32 anos, é voluntário no projeto. Ele tem inúmeros títulos conquistados ao longo da carreira e conta que o desejo dele é transformar a realidade de crianças sem perspectiva de um futuro melhor. “O foco é afastar estes adolescentes do mundo da criminalidade e apresentá-los aos esportes. Fazer deles verdadeiros campeões na vida”, diz o voluntário. 

 

Lucas Dias, 13 anos, é aluno da 6ª série e luta há um ano e meio. Ele conta que o esporte o ajuda a ter disciplina. “Eu era desligado na escola, agora percebo que estou concentrado, tanto que minhas notas melhoraram”, reconhece. Além disso, Lucas é o orgulho do pai. “Direto ele sai contando para as pessoas que tem um filho lutador”, sorri. 

 

Benefícios vão além

 

Caio Henrique Rodrigues, 14 anos, da 7ª série, também participa das aulas há mais de um ano. “Eu   repeti de ano, e depois que comecei no esporte passei a  tirar boas notas. A minha família toda está gostando dessa minha experiência, principalmente  porque será a minha primeira viagem de avião. Eu também não conheço a praia. Estou muito feliz em participar”, revela.

 

Mateus de Almeida, 14 anos, da 7ª série, está participando desde o início do projeto, há dois anos. Ele foi considerado destaque no campeonato que participou no ano passado. “Saí da luta sem levar nenhum ponto”, comemora. 

 

Já Ana Luiza Pereira, 13 anos, da 6ª série, diz ter controlado a agressividade. “Eu era muito estressada e acabava brigando com    facilidade, era difícil me relacionar. Agora, sou mais calma. Melhorei meu comportamento e minhas notas”, diz.

 

Saiba Mais

 

Os treinos no Itapoã acontecem às segundas, quartas e sextas-feiras.

 

Já no CEF 2 do Paranoá, as atividades acontecem às terças e quintas-feiras. 

 

Outras duas estudantes compõem o grupo que participará do Juventude 2013: Evellyn Keise e Jhoana Dark.

 

O grupo conta também com a colaboração de Rodrigo Virmon, Carlo Prater e Ronan Darmas. 

 

José Neto foi o terceiro  colocado na Copa Internacional, em 2008. O atleta é, atualmente,   o principal representante local na categoria 66 quilos em campeonatos nacionais e internacionais.

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