Com um instinto aventureiro e o Brasil no coração, Mercedes Urquiza chegou a Brasília em 1957, no banco de passageiro de um jipe, ao lado do marido. O jovem casal argentino havia acabado de se casar em Buenos Aires, onde morava, e quando ficou sabendo da construção de Brasília, escolheu desbravar a cidade sem nenhuma promessa de emprego ou estabilidade. Ela é a personagem dessa semana da série Pioneiros, publicada toda terça-feira no Jornal de Brasília.
A família dos argentinos foi crescendo e o barraquinho de madeira foi melhorando quando Mercedes decidiu abrir uma empresa de turismo. “Quando chegamos, Brasília era um planeta inexistente, com apenas cinco mil pessoas tentando a vida”, relata Mercedes, ressaltando que a cidade era feita de poeira, canteiro de obras e barracos de madeira na Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante.
Até a fundação da primeira agência de turismo da cidade, o casal havia passado por várias atividades diferentes para ganhar o pão de cada dia. Mercedes lembra que todos eram iguais, chegavam com um sonho de uma cidade ainda em construção, montavam o seu próprio barraco e não precisavam pagar nada.
Desafios
Mercedes conta que o desafio maior era convencer as pessoas a pagar por um terreno vazio. “Fui corretora oficial da Terracap. Vendia os terrenos do Plano Piloto, que nem existia ainda. Imagina a dificuldade. Eu saía com um mapa gigante e as pessoas podiam escolher o que quisessem. Era uma cidade inteira vazia. Me dei até bem, porque em um ano vendi mais de cem terrenos”, menciona.
Com isso, logo a família de Mercedes, que também ficava maior com a chegada da segunda filha, mudou-se para as primeiras casas entregues para os funcionários públicos que vieram do Rio de Janeiro. Realizados no conforto de uma casinha de alvenaria no Plano Piloto, eles puderam dedicar ainda mais a vida ao turismo.
Projetos
“Mas, nos últimos dez anos, estou dedicando o meu tempo para divulgar a história de Brasília. Antigamente, eu vendia turismo, hoje eu atraio turismo. Não estou só mostrando a história da cidade, como estou contando a minha própria história. Nunca saí daqui, sou um livro aberto de Brasília”, confessa Mercedes Urquiza, com o sorriso calmo que pousa sobre os lábios avermelhados.
O sentimento de realização e gratificação no trabalho que faz fica claro na maneira como Mercedes enxerga a vida. Ela sabe valorizar a beleza de todas as artes, principalmente as nacionais.
Divulgação do país que adotou como seu
Mercedes Urquiza comemora o sucesso da exposição que ela está divulgando, a Copa do Mundo Brasil 2014: A Bola da Vez. A mostra, composta por seis painéis de 1,80 x 1,80, apresenta imagens emblemáticas das cidades sedes dos mundiais, com informações turísticas, antecipando para o público o que cada uma delas tem a oferecer.
A exposição viajará por 22 cidades de quatro continentes durante a XXVII Viagem de Instrução de Guardas Marinha, que vai rodar o mundo até dezembro desse ano. “Acabei de voltar de Lisboa, onde comemoramos a Independência do Brasil. Foi lindo. Informaram-me que 312 pessoas compareceram”, reconhece orgulhosa.
Futuro
Mercedes diz que ainda tem muitos projetos pela frente e não pretende parar tão cedo o trabalho de divulgar a capital do País que a abrigou. “Não estou nem dando conta de tudo que quero fazer.”
Perfil
Mercedes Urquiza
Naturalidade: Portenha naturalizada Brasileira
Atividade: Turismo
Brasília: Veio em 1957, e trabalhou como corretora da Terracap