Rener Lopes
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O Clica Palestras abordou, na manhã desta terça-feira (30), a questão das drogas na capital federal. O convidado foi o diretor do Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal, o Sindipol/DF, Cláudio Avelar, que respondeu as perguntas de internautas e comentou sobre vários assuntos.
Um dos pontos comentados por Cláudio foi sobre a falta de locais em Brasília para que o dependente químico possa se tratar e largar as drogas. “É uma questão muito preocupante. O governo atual pretende criar estes centros de recuperação, tanto que tem um projeto que está começando a ser implantado ainda e sonho que o governador consiga a pessoa certa para trabalhar neste assunto”, ressalta.
Cláudio também explica que não é qualquer hospital que pode receber este tipo de paciente. “Não pode se tratar estes drogados num hospital comum. Uma coisa é um paciente que está morrendo. Outra é um paciente que precisa de tratamento e apoio da família”, afirma.
Para o especialista, as políticas públicas não terão resultado caso as crianças e os jovens não sejam observados. As crianças, com o ensino e a informação, e os adolescentes, com o incentivo a realizar atividades de formação. “Temos que colocar escolas para os jovens estudarem, aprenderem profissões, já que o pai não orientou, a mãe não orientou e o professor não é de qualidade. E depois que dá tudo errado, é que vem a polícia com a borracha (sic) para reprimir? Não vai resolver. Prende um, aparece dez. E o caminho é a prisão e, consequentemente, a morte”, diz.
Sobre a greve dos policiais civis na região do entorno, Cláudio mostra que a greve é a última tentativa de resolver um problema da categoria. Mas corrobora que a situação por lá está um caos. “Quem sofre é a população. Se hoje com a polícia, é um caos em termos de criminalidade, imagina sem polícia? Vai ficar uma terra de ninguem, um verdadeiro faroeste, e quem ganha mais uma vez é o crime”, garante.
Descriminalização
O policial entende que devem ser realizadas políticas públicas e que, neste sentido, [O Brasil] está num patamar muito inferior à Europa, que tem verba, interesse e já trata do assunto.
“A Holanda tentou, num desespero, fazer algo pra mudar – o país liberou o uso das drogas -. Se o Brasil não consegue controlar quem paga imposto, vai controlar quem vende droga? É um sonho imaginar isso num país de dimensões continentais como o nosso. E só tem duas pessoas que vão ganhar com isso: o primeiro é o traficante. O segundo, é o dono do cemitério”, critica.
Outro dado alarmante dito por Cláudio, durante o Clica Palestras, é que as drogas movimentam cerca de 20% de toda a economia mundial, de acordo com a ONU. “É rentável porque se multiplica. Os grandes traficantes não colocam a mão na droga, apenas investem. Por exemplo: eu lhe darei um milhão e você tem que me devolver dez milhões, e eu [traficante] não quero saber o que você vai fazer para conseguir este dinheiro. Na Lei, o que eles estão fazendo é um crime financeiro, pois realizam lavagem de dinheiro e obtem lucro”, finaliza.
O vídeo na íntegra da palestra desta terça-feira (30) está disponível no link ClicaTV.