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Brasília

Enxadrista do DF de apenas quatro anos é o mais jovem confederado do Brasil

Arquivo Geral

08/05/2012 19h58

Eric Zambon

eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br


O pequeno Felipe do Couto Chadú, de apenas quatro anos, é o mais jovem enxadrista confederado do Brasil. O registro, um recorde, foi feito pela Confederação Brasileira de Xadrez (CBX) em 29 de fevereiro de 2012. A marca foi anotada pela RankBrasil – empresa que registra recordes brasileiros – e já rendeu fama ao jovem jogador de xadrez.

 

“Depois de um torneio que ele venceu em Ceilândia, muita gente pedia autógrafo e queria tirar uma foto com ele”, contou o avô Vicente de Paulo Couto, um dos maiores incentivadores do menino.

 

Segundo a mãe do prodígio do xadrez, Kelly do Couto Chadú, o garoto demonstrou interesse pelo esporte em setembro do ano passado, quando ficou intrigado com o tabuleiro e as peças do jogo. Em apenas dois meses, Felipe já participava de seu primeiro campeonato, um festival na Asa Sul, apesar da resistência da mãe.

 

“Eu não queria que meu pai o levasse. Ele ainda era muito novo e não achei uma boa ideia”, conta Kelly. A insistência do avô, porém, rendeu frutos. Vicente conta que, pelos jogos disputados contra o neto, percebeu a habilidade do menino e queria testá-lo diante de outros jogadores. “Quis fazer isso por ele brincar comigo. Eu vi que ele era bom, mas às vezes eu o deixava ganhar, sabe? Eu queria que ele disputasse contra outras pessoas”, disse Vicente.

 

O avô coruja também contou que o presidente da Federação Brasiliense de Xadrez não queria a estreia de Felipe no torneio. O dirigente tinha receio que o menino não possuísse nível para competir e chorasse quando perdesse. A mãe conta, porém, que Felipe só chorou quando quiseram retirá-lo das partidas. O menino acabou vencendo seus compromissos, inclusive contra adversários bem mais velhos de 10 a 12 anos, em jogos não oficiais no decorrer do torneio, mas não parou por aí.

 

Em abril deste ano, Felipe conquistou o primeiro lugar no sub 08 do Campeonato Brasiliense de Xadrez Rápido e foi campeão no V Torneio Aberto de Xadrez do Dia do Trabalhador, do Sesc Ceilândia – DF, na última terça-feira (1º).

 

Currículo

 

No currículo do enxadrista ainda há uma participação no XII Torneio Aberto Internacional de Xadrez Festa da Uva, em março, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. No campeonato, ele jogou a simultânea (vários competidores contra um mesmo jogador), com a húngara Judit Polgár, uma das melhores do mundo, e recebeu o prêmio de segundo melhor competidor sub 08.

 

“Ele não para quieto, mas quando o assunto é xadrez, ele se concentra”, fala a mãe, que se surpreende com a iniciativa do menino e o tempo devotado ao esporte. “Ele joga todos os dias porque ele quer. Ninguém o obriga a nada. Quando não tem ninguém pra jogar, ele assiste a vídeo-aulas.”

 

Quem deu a ideia de registrar Felipe Chadú na CBX foi o árbitro e professor de xadrez do menino desde fevereiro deste ano, Agnaldo Braga da Silva, 31 anos, também instrutor na Universidade Católica de Brasília (UCB). Nas duas aulas na semana, ele começou a ensinar as regras do jogo ao garoto e ficou entusiasmado com o potencial de Felipe.

 

“Ele surpreendeu em torneios sub 08 contra meninos até quatro anos mais velhos. Fico surpreso que ele assimila a ideia de alguns exercícios que até adultos têm dificuldades”, exalta Agnaldo.

 

A trajetória impressionante do menino, no entanto, não fez com que o professor perdesse a cautela. Ele sabe que ainda há um longo caminho pela frente. “Uma dificuldade dele é o relógio. Felipe começou a jogar sem limite de tempo e precisou se adaptar, mas está indo bem. Ele já tem o desenvolvimento de um menino de 10 ou 12 anos, mas ainda falta aperfeiçoar sua habilidade”, concluiu o instrutor.

 

O avô Vicente confirma a melhora das habilidades de Felipe a cada dia e conta que, às vezes, mesmo jogando sério, é surpreendido ao levar um xeque-mate do netinho. Quem sabe aonde esse menino vai parar?

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