Bruna Sensêve
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“Um desastre ambiental”. É assim que o consultor tributário Roberto Nogueira, morador da QL 6 do Lago Sul, descreve a visão que tem do Lago Paranoá, da sacada de sua residência. Onde antes havia uma larga faixa de água, hoje, está completamente coberto por terra, lixo e sedimentos.
Segundo o superintendente de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Companhia de Saneamento de Brasília (Caesb), Maurício Ludovice, a estimativa é que, desde a criação do lago, mais de 1,3 milhão de metros cúbicos de sedimentos foram depositados ali, o que equivale à carga de 220 mil caminhões de porte médio.
Isso provocou a redução do volume de águas do braço sul em 30% e, pelo menos, 3% do volume total do lago. O presidente do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Gustavo Souto Maior, afirma que a superfície perdida pelo assoreamento pode chegar a 250 hectares, equivalente a 250 campos de futebol.
Vizinha de Roberto, a psicóloga Cecília Gontijo, 25 anos, sente o problema ainda mais perto. Há 13 anos, quando se mudou, o Lago Paranoá estava a cinco metros de sua casa, utilizável para navegação e lazer. Agora, a área em frente é um grande brejo e, mais adiante, um pântano. Ela avalia que seja possível atravessar a pé até a outra margem. “Quando chove, vemos descer barro, detritos, lixo, garrafas e até pedaços de colchão. Não temos ideia do que tem mais à frente”, relata.
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