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Ensino remoto tende se tornar a nova realidade da educação brasileira

Para especialista, aulas transmitidas de forma híbrida serão o principal legado deixado pela pandemia no setor da educação

Por Mayra Dias 29/09/2021 5h39
Foto: Divulgação

Representando um dos índices mais altos do país, 94% dos alunos da rede pública do Distrito Federal tiveram acesso à internet durante o ensino remoto. Os dados são da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), e ilustram um legado que será deixado na educação, visto que, para especialistas, o modelo virtual foi uma ferramenta enriquecedora. “Em todo o mundo, a tendência tem sido que o ensino presencial aglutine os investimentos e ferramentas adotadas durante a pandemia oriundos da EaD. O ensino tem se tornado cada vez mais híbrido”, argumenta o especialista Alfredo Freitas, diretor de educação e tecnologia da Universidade americana Ambra University.

Segundo o especialista, a pandemia forçou o uso da tecnologia e acelerou transformações nas salas de aula e nas metodologias do ensino em todo o mundo. Os sistemas, assim como os games educativos e aplicativos que foram introduzidos pelo formato, na avaliação do profissional, devem permanecer com o retorno às aulas presenciais no DF. “Na capital, onde o investimento em recursos digitais foi tão expressivo, é fundamental os gestores observarem se o retorno ao ensino presencial vai preservar a utilização destes recursos, sob pena de ocorrer prejuízos ao erário”, alerta Freitas. Conforme salienta o diretor, todo o investimento feito durante esse período pode ser perdido se o retorno ao ensino presencial não considerar a utilização permanente dessas tecnologias.

Em julho de 2020, a Secretaria de Educação do Distrito Federal comprou mais de 821 computadores e monitores, correspondendo a uma aplicação de R$ 2,2 milhões para escolas. Além disso, foi anunciado um programa para ofertar conexão gratuita em 4g a pessoas com deficiência em Brasília. “Seria um desperdício completo o não aproveitamento do legado deixado pela pandemia no segmento da educação. O ensino online está salvando o segundo ano letivo”, defende Alfredo. O gestor ainda enfatiza acreditar que não haverá mais retorno ao ambiente escolar totalmente presencial como antes, e é preciso compreender este novo momento e investir para potencializar o acesso. “É isso que tem sido feito em todo o mundo”, acrescentou.

Com a retomada das aulas presenciais nas escolas e universidades brasileiras, muitos mecanismos adotados durante o período de ensino remoto já passam a incorporar o currículo escolar. As Instituições de ensino do país, desta forma, estão seguindo a lógica já adotada em outros países, e passaram a implementar atividades em modelo híbrido de ensino em todos os níveis educacionais. “Usar a tecnologia na educação transforma o estudante em alguém preparado para atuar no seu futuro profissional. Com isto, ele estará mais conectado com a realidade da sociedade. A mudança tecnológica, nas últimas décadas, se deu muito rápido”, declara Freitas.

Se tratando do uso e acesso a estas ferramentas tecnológicas, o Brasil está, hoje, entre os cinco países do mundo que mais usa internet. Com 78,3% de brasileiros e brasileiras conectados, o número ocupa a 5 posição no ranking de países em população on-line. Além disso, o país é o terceiro no mundo no uso diário de internet. Mais de 4.500 municípios estão conectados por fibras ópticas às redes nacionais. “Hoje, as crianças já são nativos digitais. Elas estão envolvidas, desde cedo, com o universo dos smartphones, do touchscreen”, desenvolve o diretor. Para ele, devido a isto, a adaptação aos novos modelos se deu de forma mais fácil e natural.

Há quem diga, porém, que tal realidade é perigosa e que, futuramente, a tendência é que as ferramentas digitais substituam as pessoas no processo educacional. Tal teoria, porém, não é a defendida por Rafael. “O ensino é uma atividade essencialmente intelectual. É uma das últimas atividades que, teoricamente, seriam substituídas por máquinas”, expõe. “O que eu acredito, e o que os meus estudos e pesquisas indicam, é que o ensino depende de um contato próximo entre professor e estudante, com observação e acompanhamento personalizados para cada aluno. A tecnologia pode ajudar, e muito, nessa relação, mas não irá substituir”, justifica.

Diplomas digitais

O Ministério da Educação (MEC) divulgou uma pesquisa nesta terça-feira sobre o processo de implantação dos diplomas digitais pelas instituições de ensino do país. Esse estudo, conduzido pela Secretaria de educação Superior (SESu), mostrou que, até o mês de agosto deste ano, já foram emitidos 15.271 diplomas digitais. Até então, 3.031 instituições de ensino superior estão autorizadas a usar diploma digital no país.

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O estudo trouxe uma análise a respeito de em que estágio está a implantação do processo do diploma digital. Os resultados, por sua vez, demonstram uma realidade cada vez mais próxima: para 32% das instituições, o processo já está em planejamento, e 28% já iniciaram o processo. 14% estão finalizando e 4% já emitem o diploma digital. Que não começou, portanto, o número foi de apenas 22%.

Uma outra pesquisa, desta vez realizada pela Educa Insights, em parceria com Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), buscou reunir informações acerca da quantidade de brasileiros que ingressaram nos cursos a distância durante a pandemia. Intitulado “Coronavírus e Educação Superior: o que pensam os alunos”, o levantamento foi realizado em novembro de 2020, e, em sua 5ª e última fase, reuniu 1.102 pessoas, entre homens e mulheres com idade de 17 a 50 anos, de todas as regiões do País, com interesse em ingressar em cursos presenciais e EAD ao longo de 18 meses. As outras quatro etapas foram desenvolvidas nos meses de março, abril, maio e julho do mesmo ano.

De acordo com o diretor executivo da ABMES, Sólon Caldas, a partir do levantamento, foi possível notar o crescimento do EAD. “Ele vem crescendo exponencialmente, enquanto o presencial vem diminuindo. Um estudo que fizemos em 2019 apontava que em 2023 o ensino à distância iria passar o presencial no número de matrículas. Durante a pandemia, o crescimento do ensino online está sendo tão acelerado, que em 2022 isso já deve ocorrer”, avaliou o dirigente. Para ele, o aluno tem gostado deste novo modelo porque pode fazer uma aula teórica do conforto de sua casa, sem gastar com combustível ou condução. “Para quem trabalha e estuda, há mais comodidade. As aulas virtuais contribuem para amenizar essa correria e contam com interação do professor e também do aluno. É um presencial-virtual”, complementa.

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