Andréia Castro
Especial para o Jornal de Brasília
Diferentes idiomas podem ser ouvidos pelos corredores do Pavilhão da ExpoBrasília, no Parque da Cidade, nesta semana. Apesar de pertencerem a 54 nacionalidades, casais tentam se entender e debatem sobre o matrimônio e seus desafios. Eles desembarcaram em Brasília para participar do 11º Encontro Internacional das Equipes de Nossa Senhora (ENS), evento católico que reúne 7,5 mil pessoas até esta quinta-feira.
A cada seis anos, o movimento da ENS, nascido na França, em 1938, promove um grande encontro internacional de casais para unir os integrantes e definir novas diretrizes. O Brasil é o quinto país a sediar a reunião, o primeiro não europeu, por ser o país com mais casais participantes das equipes. “É uma missão desafiadora receber o evento. Procuramos criar um ambiente hospitaleiro para que todos possam se sentir em casa”, diz Elizeu Calsing, um dos coordenadores do evento.
O país com maior número de inscritos, além do Brasil, que tem 5,8 mil, é a França, com cerca de 530 peregrinos. Seguida por Portugal (200), Itália (190) e Espanha (130). Em menor número estão os países Burquina Fasso, Lituânia, Ruanda, República do Congo, Eslováquia e São Tomé e Príncipe. Representando o país africano Malauí, Boniface e Ida Ntakati voaram pouco mais de 15 horas para chegar ao evento. “O cansaço desapareceu quando chegamos. Estamos intensificando nossa fé e isso é o mais importante”, revela Boniface Ntakati, 60 anos, equipista há oito.
CATÓLICOS
O encontro, que promove palestras, reuniões de grupo e confraternizações entre os países, recebeu a bênção do Papa Bento XVI durante a abertura do evento, no Ginásio Nilson Nelson, no último sábado. E contou com a participação do Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giovanni d´Aniello; do Arcebispo Metropolitano de Brasília, Dom Sérgio da Rocha; e do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Raimundo Damasceno. Além da participação de 446 sacerdotes de diversos países.
O padre Pierre Henderson veio da ilha francesa da Martinica para o encontro. “Trouxe minha equipe para que possamos socializar com outros países e estou surpreso com a organização do evento. Já estive em outras edições, mas Brasília está nos surpreendendo em todos os níveis”, afirma o martinicano.
Os cariocas Fátima e Jerson Quintella, equipistas há 22 anos, lamentam não terem entrado antes no movimento. “O evento está sendo fantástico. É de uma magnitude que jamais poderia imaginar”, agrega Jerson, 63 anos. “É o casamento perfeito entre a celebração e a espiritualidade”, finaliza Fátima, 61.