Um dia após manifestação tumultuada na Esplanada, que terminou em agressões e prisões, o espaço deu lugar a um protesto pacífico do começo ao fim. Três mil estudantes ocuparam o gramado do Congresso Nacional para exigir a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE), entre outros pedidos. E em vez de pedradas ou bombas, a atenção foi atraída de outra forma: um “beijaço” gay.
Estudantes chegaram a fechar as seis faixas do Eixo Monumental. O ato terminou com os jovens correndo em direção ao Congresso, se jogando no espelho d’água, onde deram as mãos e disseram algumas palavras de ordem sobre diversas pautas, como a liberdade sexual e o fim da corrupção.
A educação foi a principal reivindicação mesmo tendo a presidente Dilma Rousseff já se manifestado a respeito do assunto, ao anunciar investimento para a educação com 100% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do Pré-Sal.
A Câmara dos Deputados já aprovou o substitutivo ao Projeto de Lei 323/07, destinando 75% dos recursos dos royalties do petróleo para a educação, com prioridade para a educação básica, e 25% para a saúde. 0 projeto vai para o Senado.
Para a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Virgina Barros, a manifestação veio na hora certa. “A gente acha que é fundamental ter um espaço concentrado em meio a todas essas manifestações para debater a educação brasileira, para que a gente consiga dar um salto na qualidade. Estamos aqui para pressionar por uma resposta urgente”, explica.
Viagem ao DF
Leandro Favoretto, 21 anos, veio do Paraná, e Daniel Clodoaldo, 23, de São Paulo, para participarem do ato. “O País só vai ter uma nova cara quando a juventude tomar atitudes para uma educação de qualidade e quando visões preconceituosas como a de Marco Feliciano (deputado), com a criação da ‘Cura Gay’, acabarem”, defende Leandro.
As amigas Amanda Lustosa, 18 anos, e Rafaela Urgel, 19, de Sobradinho, carregaram cartazes. “Viemos pedir um investimento maior na educação”, diz Rafaela.