Leandro Cipriano
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Invasões e parcelamentos ilegais do solo são constantes no Distrito Federal há décadas, e deram origem a diversos problemas ambientais e urbanísticos. De acordo com a estimativa da Secretaria de Condomínios do DF, cerca de 800 mil moradores habitam áreas não regularizadas pelo governo. Números que podem crescer cada vez mais, à medida que novos parcelamentos de solo irregular são iniciados pela população, que ignoram a proibição de construir nas áreas ilegais.
Devido à dimensão do problema, ações contra o parcelamento irregular do solo têm sido constantes. Conforme os dados da Secretaria de Ordem Pública do DF (Seops), Águas Claras/Arniqueiras e Ceilândia foram os locais que mais tiveram atuações do Comitê de Combate ao Uso Irregular do Solo este ano. De janeiro a março – levantamento mais recente –, somaram 71 operações, com aproximadamente cem construções irregulares derrubadas.
Mas foram as regiões administrativas de São Sebastião, Sobradinho e Itapoã que tiveram mais edificações retiradas pelos agentes, com 1.393 construções derrubadas nos três locais até março deste ano.
Em comparação ao mesmo período do ano passado, houve um aumento de 78% no número de operações promovidas pelo comitê. Em todo o Distrito Federal, foram feitas 134 ações nos três primeiros meses desse ano, resultando em 1.791 edificações retiradas. A Seops, responsável por coordenar as ações, informou que será divulgado na próxima semana o balanço total das operações feitas no primeiro semestre deste ano.
“As operações estão acontecendo com mais frequência para não estimular essa prática de alguns, que vendem terras a pessoas que acabam as comprando de boa fé. Estamos atuando em áreas passíveis de regularização, para que essa grilagem não ocorra”, ressaltou o secretário de Condomínios, Wellington Luis.
Segundo ele, a omissão do Estado nos últimos anos em atender a demanda por moradias deu espaço para os grileiros agirem indiscriminadamente na venda e divisão de terras. Situação que se arrastou por anos, e sem qualquer controle.
“O DF não faz ideia do tamanho do problema. Hoje, praticamente metade da população tem algum problema com a regularização dos terrenos, de um jeito ou de outro. Se fizerem uma pesquisa mais aprofundada, talvez até ultrapasse os 800 mil”, declarou Luis.