Marina Marquez
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Servidor de carreira do Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) há 33 anos, Francisco Saraiva assumiu há três meses o cargo de diretor-geral do órgão. Entre os compromissos que assumiu estavam melhorar o atendimento ao público e satisfação do funcionário que trabalha no Detran. Apesar do pouco tempo na direção do órgão, Saraiva acredita que conseguiu melhorar problemas de atendimento, como o caso da vistoria de veículos, e criar um planejamento estratégico que pretende mudar, por exemplo, a localização e sinalização de faixas de pedestre em todo o Distrito Federal. Saraiva foi o primeiro agente de trânsito a assumir o cargo de diretor geral do Detran, cargo até então ocupado por indicações políticas e que teve, nos últimos quatro anos, seis diretores diferentes. Antes de se tornar diretor-geral, Saraiva foi um dos primeiros motoristas de guincho do órgão, supervisor de operações técnicas, chefe do Núcleo de Policiamento e operador do Detran na então Citel, hoje Central de Atendimento e Despacho (Ciade). Até agosto, ocupava o cargo de gerente de Fiscalização e Policiamento do Detran.
O Detran sempre reclamou e brigou para que a direção do órgão fosse um cargo técnico e não político. Há três meses, o senhor assumiu como técnico a direção geral do Detran. Quais são os benefícios dessa mudança de direção?
De imediato, atendemos não só a expectativa do sindicato, mas dos próprios funcionários. Ganhamos mais corpo, mais identidade, e agilidade nas ações. O Detran, nos últimos quatro anos, foi gerenciado por seis diretores. Só em 2010 foram quatro. Cada diretor que chega tem que conhecer a casa, montar sua equipe, interagir para identificar quais são as ações prioritárias e pontos críticos. A partir de então, se for a vontade do diretor, vai identificar ou não o que é prioridade. O funcionário de carreira que se propõe e assume essa árdua missão já chega com esse caminho antecipado. Já chega atacando as fontes e problemas que conhece.
Qual a situação do órgão quando o senhor assumiu e o que já mudou de lá para cá?
Encontramos um órgão esfacelado, sem unidade nos seus setores. Funcionários desmotivados e sem perspectiva de ação. Ou seja, por uma falta de planejamento, de uma política que definisse as ações do órgão, estávamos paralisado. Sem dizer os problemas externos comuns a todo o GDF. Tratamos dos problemas de informática do Detran, a falta de funcionários. Para se ter uma ideia, tínhamos dois ou três concursos concluídos com funcionários a serem convocados que não eram chamados. A fiscalização, motivo de crítica durante esse período todo, está melhorando e conseguimos aprovar o concurso para agente de trânsito. Compramos equipamento e veículos, como os cinco guinchos, por exemplo, adquiridos para ajudar na fiscalização. Além de atender as reivindicações dos funcionários, como as gratificações atrasadas, retroativos e, principalmente, sanar um problema urgente que era o atendimento das vistorias.
A questão das vistorias é uma dor de cabeça antiga do brasiliense. O que mudou na sua gestão?
De imediato autorizamos funcionários de outras categorias a participar de treinamento e interagir no processo de vistorias do DF. Ainda não temos um quantitativo adequado, mas, diante do que era, já estamos avançando. Providenciamos agora também o agendamento. Ou seja, o cidadão não precisa mais se deslocar até uma unidade do Detran. No início, tivemos uma fila on-line, mas agora o atendimento já está fluindo e vamos aumentá-lo, além de melhorar a qualidade dos estabelecimentos e locais.
Existe previsão para uma terceirização do serviço de parceria?
Pode até haver um processo de parceria, desde que o Detran seja a unidade gestora. Vemos com bons olhos uma terceirização mas desde que a iniciativa privada seja prestadora de serviço. Podemos concorrer, é uma coisa saudável que só vai melhorar o atendimento ao cidadão. Num momento inicial, devemos acabar com a fila e, se isso acontecer, se o Denatran autorizar, o Detran deve se capacitar mais ainda para atender o cliente, se tornando um centro de excelência, que é nossa intenção. Nossa direção não vê problemas na parceria, desde que sejamos os gestores do serviço e tenhamos acesso às suas taxas de serviço.
Quais são os principais projetos dessa gestão e objetivos do Detran na sua direção?
Hoje agimos com o objetivo inicial de preservar vidas, economizar nos contatos e atender os interesse do órgão. Por exemplo, estamos com um projeto de revitalização das faixas de pedestre. É para todas as faixas do DF, com mudança de local de algumas e implantação de outras, atendendo exatamente à demanda e às ocorrências registradas. Mas precisamos que o Denatran crie uma portaria autorizando implantar no DF um sistema de faixa de pedestres diferenciado. Uma cópia do modelo inglês, que deu certo estatisticamente. Implica uma travessia mais segura. Quando o pedestre chegar para atravessar, ele terá muito mais tempo para ser visto pelo condutor. Quando o cidadão chegar ao box, pintado de vermelho e diferenciado, não precisará fazer mais o sinal da vida. A lateral da via estará pintada de amarelo, dez ou 12 metros antes da própria faixa. Além disso, ela será em zigue-zague e não em linha reta como hoje.
O DF é conhecido nacionalmente por respeitar a faixa, mas o atropelamento de pedestres, grande parte deles no local de travessia, ainda é um dos maiores motivos de morte em acidentes de trânsito. Por quê?
Infelizmente, esse ano, não houve campanhas publicitárias, temos que dar a mão a palmatória. Mas somos referência. Para melhorar, falta educação e conscientização, não só do condutor, mas também do pedestre. A fiscalização precisa estar policiando as vias. Nos locais em que há uma viatura de fiscalização não há acidentes. Em um primeiro momento, pode aumentar o número de multas, mas o cidadão precisa se conscientizar de que a fiscalização é atuante e respeitar a legislação.
Os agentes reclamam que falta efetivo para fazer uma fiscalização eficaz. Em quanto o efetivo está defasado?
Só para se ter uma ideia, atendemos a sociedade com o mesmo Detran e efetivo de 1990. Temos 120 agentes para atuar especificamente na área de fiscalização. Precisamos, no mínimo, de 400 agentes. Hoje não é que a fiscalização não esteja atuando, mas é preciso ter simultaneamente ações em todos os locais: Taguatinga, Ceilândia, Gama, e isso falando só dos pontos críticos, como a Avenida dos Alagados, em Santa Maria, a Helio Prates, Avenida dos Pinheiros no Gama, Avenida Independência em Planaltina. Ou seja, toda regional tem seus pontos críticos, que já estão mapeados, mas precisam de agentes para a fiscalização. É necessário uma operação simultânea em todos esses lugares e não só na Ponte JK. Não é que estejamos trabalhando menos, mas o efetivo é menor. Aí surge a impressão de que não há fiscalização e a surpresa quando o cidadão é pego numa blitz.
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