Francisco Dutra
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De obra e em obra, a área urbana do Distrito Federal cresceu 467% em apenas 36 anos. Segundo estudo para a formulação do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE) da capital brasileira, a expansão, composta por casas, prédios, ruas, estacionamentos viadutos e demais equipamentos públicos e privados, ficou cinco vezes maior entre 1973 e 2009.
Mesmo com a expressiva taxa de ocupação, o DF ainda tem espaços para expandir. Com a população em franco crescimento e o mercado aquecido pelos altos salários do funcionalismo público é difícil imaginar que o ritmo possa sofrer uma grande queda, pelo menos a curto prazo.
No entanto, o poder público espera regrar as construções desenfreadas tanto para áreas públicas quanto privadas. A proposta é adotar uma postura diferente daquela empregada nas décadas passadas, quando grande parte das expansões ocorreu sem a devida regulação e sem o planejamento para sustentabilidade.
O crescimento urbano do Distrito Federal entre 1973 e 2009 superou a taxa de aumento da própria população. A área urbana avançou a uma média de 4,9% ao ano. Segundo o diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas da Codeplan, Júlio Miragaia, o DF tinha 730 mil habitantes em 1973, saltando para 2,5 milhões em 2009. Trata-se de um crescimento de 300%, que equivale a uma taxa de 3,5% ao ano, bem abaixo do avanço das obras em terras brasilienses.
De acordo com o especialista, a expansão no DF teve um ritmo mais intenso do que a cidade de São Paulo, que no mesmo período cresceu apenas 1,5% ao ano. Na leitura de Miragaia, esta taxa de crescimento é natural. “Não necessariamente foi especulação imobiliária. Tivemos um grande número de construções familiares de um domicílio, atividades produtivas, comerciais e serviços”, pontuou o especialista.
O diretor lembrou que o crescimento do DF foi desigual do ponto de vista social. Em alguns pontos, parte da população teve suas necessidades atendidas, enquanto outra parcela foi “deixada de lado”. Para Miragaia, o DF viveu uma situação de acelerado crescimento, mas hoje existem indicadores de desaceleração.
Do ponto de vista ecológico, o ZEE pode ser uma ferramenta para garantir desenvolvimento sem o comprometimento dos recursos naturais ou a perda de espaços agrícolas. Resumidamente, o ZEE é um instrumento de tomada de decisão para os gestores públicos, que aponta medidas e padrões de proteção ambiental para cada região do DF, a partir de pesquisas.
A reportagem tentou entrar em contato com a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos e o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) para falar sobre o tema, mas não teve retorno.