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Brasília

Eleições à vista: PDT prefere a independência

Arquivo Geral

11/10/2017 7h00

Cúpula do PDT brasiliense se reúne: apesar de uma forte corrente oposicionista, fórmula mais amena acaba predominando no partido. Foto: Isis Dantas/Divulgação

Millena Lopes
millena.lopes@grupojbr.com.br

Pesou o interesse do PDT em se aliar ao PSB em nível nacional e apoiar Ciro Gomes para uma candidatura ao Palácio do Planalto na decisão do diretório regional em não sair formalmente da base aliada do governo de Rodrigo Rollemberg, mas ficar na posição de independência. Assim, cargos foram colocados à disposição do Executivo e os deputados distritais – Joe Valle e Reginaldo Veras – votam como quiserem. Na prática, é o que vinha ocorrendo. Mas, pode ser pouco tempo, já que há clara intenção do partido em colocar o nome de Valle para encarar uma candidatura ao Governo do DF, embora ele mesmo se esquive dessa possibilidade por agora.

Em nota, a direção regional informou que declara independência e coloca à disposição os cargos “preenchidos por indicação do partido”. E diz que, “atento ao compromisso com o Distrito Federal e sempre buscando o diálogo”, o PDT “continuará a votar favoravelmente a projetos que considera importantes para a população e para a cidade, de acordo com o seu programa e estatuto”,

Desde algum tempo, os deputados distritais do PDT têm divergido do Palácio do Buriti e dos interesses do governador. No início do ano, Rollemberg fez enorme esforço para que o deputado Agaciel Maia (PR) ganhasse a eleição para a Presidência da Câmara Legislativa, em detrimento de Joe Valle, que virou o jogo na última hora.

Depois, quando resolveu enviar um projeto que dava poderes para criar o Instituto Hospital de Base, os deputados se dividiram.

Enquanto Valle votou com o governo, Reginaldo Veras fez campanha contra a proposta. E, mais recentemente, com o projeto que reforçou a previdência dos servidores do DF, a gota d’água caiu.

Na época, Rollemberg chegou a dizer que seria “inconcebível” que um parlamentar da base, nos momentos mais importantes, não votasse com o governo. Foi quando ele exonerou parte dos indicados por Reginaldo Veras a cargos no Executivo. E cravou: “Não tem sentido participar do governo.”

Ontem, Veras disse que foi “voto vencido” na reunião da executiva regional, que contou com participação de todos os caciques do partido no DF, comandados pelo presidente da sigla na capital, Georges Michel.
“Defendi, desde o início, a ruptura total com o Executivo”, disse o deputado, por meio de nota, no fim do encontro.

Na reunião de ontem, cerca de 30 membros da executiva atenderam ao chamado de Michel para decidir sobre o futuro da relação com o governo.

Rollemberg não gostou da postura do PDT. Emitiu nota dizendo que não há motivo político objetivo para a decisão, a não ser o de se dar respaldo a um projeto eleitoral. Isso, afirma, o obriga a rever o espaço administrativo que o partido ocupava até então. Traduzindo, vem corte nos cargos de indicados dos deputados do PDT.

Exonerações à vista

Rollemberg já havia se reunido com o presidente do PDT nacional, Carlos Lupi. E selado um acordo para as eleições do ano que vem. Baseada nessa conversa já era a convicção do Palácio do Buriti de que o PDT não sairia da base agora.

Mas, em nota, o governo diz lamentar a decisão e diz que o novo posicionamento “o obrigará a rever o espaço administrativo que o partido ocupava até então”.

No texto, o governo diz que não há nenhum motivo político objetivo para a decisão “a não ser o de se dar respaldo a um projeto eleitoral”.

“O Governo de Brasília espera que o PDT realmente respeite os compromissos com a cidade e a população e vote a favor de projetos que são do interesse e importantes para o desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal”, finaliza o governo, em tom ameaçador.

Relembre

  • Quando a Câmara Legislativa ainda discutia o projeto da previdência, o PDT publicou nota em que reafirmava ao compromisso com as pautas trabalhistas. E, na época, chegou a dizer que, na convenção regional, realizada no mês passado, o partido decidiria a postura em relação ao governo. A decisão, portanto, foi adiada para ontem.
  • No Palácio do Buriti, a convicção era de que o PDT não sairia tão facilmente da base de apoio. A confiança vinha das conversas dos partidos – PSB e PDT – em esfera nacional.
  • A nota assinada pelo presidente do partido no DF, Georges Michel, mencionou as exonerações de “colaboradores indicados pelo partido por critérios técnicos” para a Secretaria de Trabalho, que já esteve sob comando do próprio Joe Valle. “Infelizmente, o governo atua com o intuito de intimidar e pressionar os deputados do PDT para que votem favoravelmente ao PLC 122/2017”, dizia o texto.

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