O ex-administrador de Taguatinga apareceu, internado em um hospital particular na cidade em que administrava. Horas depois, no mesmo dia, o ex-administrador de Águas Claras, que já estava preso desde quinta-feira, também teria passado mal e foi levado ao Hospital de Base, com crise de hipertensão.
Na noite de ontem, porém, a Segunda Vara Criminal de Taguatinga determinou que peritos do Instituto Médico Legal (IML) fossem ao hospital particular de Taguatinga e ao Hospital de Base para examinar se, de fato, os ex-administradores estão doentes. A afirmação é de uma fonte de segurança pública do Jornal de Brasília. A expectativa era de que o laudo ficasse pronto ontem mesmo, mas até o fechamento desta edição não havia sido divulgado o resultado.
Prisão
A polícia teve conhecimento do paradeiro de Carlos Jales ontem de manhã, quando o advogado dele procurou pessoalmente a Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco). A comunicação para a polícia foi feita antes mesmo do pedido de prisão preventiva ser encaminhado ao Judiciário, entretanto o documento já estava em fase de elaboração. Isso porque, até então, o mandado de prisão concedida pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) era de temporária, cujo suspeito fica detido por até cinco dias. Como Jales ainda não tinha sido localizado, havia a possibilidade da polícia pedir a provisória. Neste caso, o cidadão pode ficar preso até o fim das investigações.
Escolta
Desde que a Deco teve conhecimento da internação de Carlos Jales, uma equipe de quatro policiais ficou responsável pela escolta dele. O ex-administrador já está preso temporariamente e ainda ontem os policiais seriam substituídos por agentes da carceragem da DPE que acompanhariam o ex-servidor público no hospital. Assim que receber alta, ele será encaminhado para a carceragem.
Visita
Na tarde de ontem, o delegado-adjunto da Deco, Luis Fernando Cocito, foi ao hospital de Taguatinga, acompanhado por outros três agentes de polícia, buscar informações sobre o estado de saúde do ex-administrador de Taguatinga.
A assessoria de imprensa do hospital de Taguatinga apenas disse, por nota, que não está autorizada a prestar qualquer informação de paciente internado acautelado pela autoridade policial em razão do sigilo médico e da garantia constitucional da privacidade.
Saiba Mais
O atraso na liberação de alvará, situação da maioria das construtoras, representa uma perda de pelo menos 232 mil postos de trabalho diretos e indiretos.
De 170 empreendimentos filiados à Ademi, 3,8 milhões de m² parados esperam aprovação de projetos.
Esses terrenos, segundo o presidente da Ademi, representariam R$ 16 bilhões não injetados na economia local, considerando-se o Valor Geral de Venda (VGV).
Novos ocupantes dos cargos
Após as demissões da última quinta-feira, na Administração de Taguatinga, aparentemente os trabalhos continuaram normalmente. Porém, alguns servidores demonstraram sentir vergonha pelo ocorrido. Quando questionado sobre a data de posse do gestor interino, um dos funcionários desabafou: “Tomara que nem venha. A gente não pode confiar nesses administradores, só fazem besteira”.
No mesmo dia em que o esquema fraudulento de alvarás veio à tona, foram publicados no Diário Oficial do DF, em edição extra, os nomes dos novos administradores e, também, de outros servidores exonerados. O gestor interino de Taguatinga é Joaquim Katsuyuki, que antes era chefe de gabinete. O de Águas Claras é Sérgio Luiz Feltrini, também antigo responsável pelo gabinete.
O GDF também já tratou de fazer uma reunião com os administradores regionais para “reiterar a determinação do GDF de exercer com rigor o respeito à legalidade dos atos administrativos no cotidiano das cidades”. Durante o encontro, os administradores tomaram conhecimento de todas as decisões adotadas pelo governo, depois da investigação desencadeada pelo Ministério Público do DF em conjunto com a Polícia Civil do DF.
A partir da próxima semana, a Secretaria de Transparência fará uma auditoria de todos os processos nas administrações que foram destinados à aprovação de projetos de arquitetura e concessão de alvarás de construção, para verificar a legalidade e lisura dos processos administrativos.
Depoimentos
Segundo o delegado, os administradores envolvidos solicitavam vantagens de vários tipos, inclusive financeira. Entre as 12 pessoas ouvidas pela operação estava o empresário e ex-vice governador do DF, Paulo Octávio. Um dos empreendimentos investigados é o Shopping JK, em fase final de construção, localizado entre Taguatinga e Ceilândia.
Investigações
Outros dois projetos do empresário que estão em investigação, segundo ele próprio lembrou, é o Residencial Setor Sul, também em Taguatinga, e um empreendimento em Águas Claras.
Documentos para conseguir alvará de construção: