As quatro pessoas suspeitas de terem envolvimento na morte do policial militar Sérgio Batista de Oliveira, 44 anos, em Planaltina, foram identificadas. Apenas dois são maiores de idade. Todos eles começaram a ser localizados na manhã de ontem após investigação da Seção de Inteligência da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Homens dos 14º e 1º batalhões da PMDF (Planaltina e Asa Sul) receberam denúncias anônimas sobre o paradeiro dos jovens.
Ian Gabriel Rodrigues Ferreira, 20 anos, é o principal suspeito de ter atirado no sargento. Ele teria abordado o policial com a ajuda de M.M.L.X., 17 anos. Com eles estariam as respectivas namoradas e um amigo, de 20 anos, que teria dirigido o carro usado no crime. Segundo a polícia, eles voltavam de uma festa no Arapoangas, em Planaltina. Das cinco pessoas, no total, apenas uma, uma menina de 15 anos, não teria qualquer participação, segundo a polícia.
Abordagem
Ao se depararem com o carro do sargento em uma das vias, Ian e o adolescente de 17 anos teriam descido do veículo e rendido policial, que estava em um GM Prisma preto. Supostamente sob efeito de álcool e drogas, os dois jovens entraram no carro. Ian teria se sentado no banco de trás e o adolescente ficado ao lado do sargento, no banco do passageiro. Após a tentativa de reação do policial, o jovem de 20 anos, que estava na parte de trás do automóvel, teria baleado o sargento.
Ferida, a vítima teria sido lançada para fora do carro. O maior de idade teria assumido a condução do veículo na companhia do colega menor. O carro só teria sido abandonado após o motorista bater em uma mureta na Quadra 4 A, Conjunto A, de Planaltina.
O delegado-chefe da 31ª DP (Planaltina), Érico Mendes, explica que após o disparo contra o policial, a namorada de Ian – de 16 anos – chegou a tomar o telefone do sargento e ligar para a Polícia Militar. “Ela informou à central de atendimento da corporação que havia um policial baleado. Depois devolveu o aparelho celular”, detalha.
Mendes destaca que no hospital o sargento Sérgio chegou a comentar o caso. “Ele disse que foi abordado, mas chegou a andar por 200 metros com o carro. Quando entrou em luta corporal com o adolescente que estava no banco do passageiro, Ian, que sentou atrás, disparou”, relata.
À procura de três armas
Agora, a polícia quer saber se o outro jovem maior de idade era, de fato, o condutor do veículo em que o grupo estava. Além dos suspeitos já identificados, há a hipótese de que outro jovem tenha auxiliado na execução do crime.
Na tarde de ontem, após localizarem os jovens e adolescentes, a Polícia Militar fez diligências em locais onde as armas pudessem ser encontradas. Ao todo são três pistolas ainda desaparecidas, sendo duas calibre 38 supostamente utilizadas pelos suspeitos e a calibre 40, do sargento, que foi roubada pelos jovens. Para as buscas, o Batalhão de Policiamento com Cães foi acionado.
“As armas teriam sido lançadas no lixão de uma casa vizinha à residência de um dos suspeitos”, explica o comandante do 1º BPM, tenente coronel Agrício da Silva – batalhão em que o sargento morto era lotado.
Segundo o comandante, a vítima foi escolhida de forma aleatória. “Ao anunciarem o assalto, eles perceberam que era um policial fardado, mas aparentemente não tinham como desistir do roubo, pois como criminosos profissionais, sabiam que o policial iria prendê-los”, afirma.
Os suspeitos também levaram do policial dois carregadores e 35 munições. O carro do sargento foi abandonado depois da colisão.
Entenda o caso
O crime ocorreu quando o sargento saía de casa, às 5h30, para ir ao trabalho. Fardado, ele foi abordado na Quadra 5 da Vila Buritis. O tiro atingiu um dos rins da vítima.
O policial deu entrada no Hospital Regional de Planaltina consciente, mas perdeu pelo menos quatro litros de sangue. O estado de saúde dele se agravou e ele teria de ser transportado de helicóptero a um hospital particular.
Entretanto, o sargento sofreu uma parada cardíaca e teve que ser reanimado. Ele não resistiu e morreu por volta das 15h30.
O crime ocorreu 24 horas depois de um outro policial também ter sido alvo de uma tentativa de latrocínio no Riacho Fundo II. O tenente João de Deus ainda está internado em estado grave.