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Brasília

Dos bem-sucedidos aos mais pobres, usuários abastecem esquema do tráfico

Arquivo Geral

22/07/2012 9h53

Carlos Carone
carone@jornaldebrasilia.com.br

Resguardados pela distância, mas exercendo forte influência sobre o Distrito Federal, grandes traficantes de drogas abastecem a cidade e promovem guerras pelos pontos de venda, principalmente pelo domínio que vai desde a clientela abastada da Esplanada dos Ministérios até os usuários que moram em cidades menos favorecidas. Investigações sigilosas da Polícia Civil mapeiam a ação dos barões da droga que enviam carregamentos de cocaína e maconha e ordenam a execução de concorrentes. Um deles mantém uma confortável casa com piscina, churrasqueira e jardim em uma das cidades mais humildes e violentas do DF. Tudo erguido, segundo investigações, com o dinheiro do tráfico de cocaína.

A Vila Planalto se tornou o maior exemplo da luta entre traficantes pelo controle da venda de cocaína. De especial, existem os inúmeros usuários, boa parte de alto poder aquisitivo.  Os traficantes da região abastecem, segundo investigações da Polícia Civil, servidores públicos de tribunais, ministérios e do Senado. Investigadores da Coordenação Anti Drogas (CAD) identificaram até os dias da semana em que os servidores mais procuram por cocaína. Quartas e quintas-feiras são os dias mais comuns em que carros importados deixam a Esplanada e param próximos aos traficantes. Dentro, servidores atrás de pó.

Durante cinco meses, policiais se infiltraram na cidade e acompanharam a movimentação dos criminosos, que promoveram, nos últimos anos, uma série de execuções na cidade para tomar o controle sobre um dos pontos que mais lucra com a venda de cocaína no DF. Os donos do “negócio” são de Ceilândia. Após alguns assassinatos,  as mortes cessaram e a hierarquia foi definida.

As investigações da CAD mapearam pelo menos 20 traficantes atuando na cidade em 38 endereços. “Os grupos tinham como maior benefício atender a clientes de alto poder aquisitivo que pagavam até R$ 100 por cinco gramas da droga. É muito mais rentável do que vender pequenas porções em troca de dinheiro picado”, explicou o delegado da CAD, Fábio Farias.

Por entraves na Justiça, a polícia  não deflagrou a operação para cumprir os mandados de busca e apreensão. No entanto, prisões pontuais foram feitas em flagrante, inclusive envolvendo usuários. Vários eram servidores, inclusive um professor com doutorado em filosofia. O estudioso chegou a dizer em depoimento que “colecionava” e emoldurava cada Termo Circunstanciado – relacionado a crimes de menor potencial ofensivo – na parede de casa.

Leia mais na edição impressa do Jornal de Brasília deste domingo (22).

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