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Brasília

Dois bebês prematuros morrem no Hran em um intervalo de menos de dez horas

Arquivo Geral

09/05/2012 14h15

Anderson Souza
anderson.souza@clicabrasilia.com.br

 

Na última terça-feira (08), dois bebês prematuros morreram no Hospital da Asa Norte (Hran) em um intervalo de menos de dez horas enquanto aguardavam serem encaminhados para leitos na UTI Neonatal. Os recém-nascidos, de 24 e 27 semanas, chegaram a ser atendidos pelo hospital, mas não resistiram.

A criança de 27 semanas nasceu na cidade de Planaltina-GO e, após o parto, foi levada imediatamente ao Hran, onde passou por tratamento médico. No outro caso, a mãe saiu de Bonfinópolis, cidade do interior de Minas Gerais, e foi atendida na Asa Norte.

De acordo com a chefe da UTI neonatal, Marta Vieira, todas as medidas necessárias foram tomadas, porém vários fatores influenciaram o ocorrido. “Os bebês estavam no que é considerado o limite de viabilidade que, no Distrito Federal, está em torno de 26 semanas de gestação. É muito delicado o método de tratamento nesse tipo de situação”, informa.

Vieira explica também que as condições em que as mães se submetem no decorrer da gestação, como o pré-natal, podem ser definitivas para que algo possa ser feito no momento de risco. No caso da mãe de Bonfinópolis, por exemplo, ela nem sabia que estava grávida quando chegou ao hospital. “Por isso, não deu pra fazer a transferência para outra unidade”, explica.

Segundo o diretor do Hran, Paulo Feitoza, o hospital não é uma referência quando se trata desse tipo de tratamento, diferentemente do Hospital da Asa Sul (Hras), que tem cerca de 20 leitos de UTI neonatal. “Temos uma reserva funcional de uma unidade neonatal, e essa reserva foi usada”, afirma.

 

Outro bebê prematuro, de 30 semanas, se encontra no Hran em estado muito grave e recebe tratamento desde o último domingo (06). Segundo Marta Vieira, ele deve ficar em observação por algum tempo até que seja transferido para um leito de UTI neonatal. “Ele deve ser acompanhado por mais dois ou três meses até que possa ter o suporte do tratamento posterior”, diz Vieira.

O secretário-adjunto de Saúde do DF, Elias Miziara, informou que existem 76 leitos de neonatologia no DF e 16 bebês aguardam vaga, que deverão ser introduzidos de acordo com a gravidade de cada um. Apesar disso, ele afirma que os leitos existentes são o suficiente para atender além do DF, algumas cidades do Entorno.

 

 

Ainda de acordo com o secretário-adjunto, o sistema de Brasília tem condição de atender cerca de dois milhões e seiscentos mil pacientes. Outros 20 leitos, dez no Hospital do Gama e dez no Hras, já estariam prontos, no entanto, a falta de profissionais atrasa o funcionamento. “As unidades deverão estar disponíveis em breve, pois o governo já autorizou a contratação de médicos neonatologistas, técnicos de enfermagem e enfermeiros”, afirma. Miziara afirmou que a suspensão das horas extras na rede pública não interferiu no ocorrido.

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