Leandro Cipriano
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A rede pública de saúde do Distrito Federal tem 893 pacientes em fila de espera por transplantes de coração, fígado, rins e córneas. A boa notícia é que de acordo com os dados da Central de Transplantes do DF, o número de doações dos brasilienses tem aumentado, o que diminuiu significativamente o tempo no aguardo por cirurgias. Nos seis primeiros meses deste ano, foram realizados 305 transplantes na rede local – 68% eram de órgãos captados de doadores da capital. Os 32% restantes vieram de estados como Goiás, São Paulo e Rio de Janeiro.
Para se ter uma ideia, nos seis primeiros meses do ano passado, apenas 126 transplantes foram efetuados, entre quatro transplantes de coração, 110 de córneas e 12 rins. As cirurgias de fígado começaram somente este ano, já totalizando 18 transplantes desde janeiro. Até 1º de julho, 11 corações, 56 rins e 220 córneas foram transplantados. Em comparação com 2011, foi um claro progresso na quantidade de operações.
O assistente de compras Osmar Caetano dos Anjos, 39 anos, foi um dos pacientes mais recentes a realizar um transplante de coração bem-sucedido no Distrito Federal. Com doença de Chagas, ele estava internado há um mês no Hospital de Base. Depois de sete dias listado no Instituto de Cardiologia do DF, conseguiu a oportunidade de fazer uma cirurgia, devido a uma doadora de Goiânia que sofreu um AVC hemorrágico.
“Hoje, sou outro homem, com uma vida nova pela frente. Antes, meu coração estava inchado, e tinha dificuldade para respirar. Agora, está funcionando 100% melhor”, afirmou Osmar, que se encontra internado no hospital, em recuperação.
Segundo o coordenador clínico do Programa de Transplantes do Instituto de Cardiologia do DF, Renato Bueno Chaves, o número de doações na rede como um todo, em relação ao ano passado, aumentou pelo menos 300%. “A quantidade de transplantes praticamente triplicou desde 2011. Até 2010, eram feitos quatro por ano, e agora já passaram de dez”, informa Chaves.
Na avaliação do profissional, o crescimento do programa de transplantes – que está fazendo mais captações a distância –, além de a população estar mais consciente quanto às doações, poderá tornar Brasília uma referência. “A expectativa para este ano é fazer até seis vezes mais transplantes que em 2010”, prevê.
Até o momento, os números comprovam que a quantidade de doadores efetivos no DF para transplante é a terceira maior do País. Os dados são da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (Abto). O índice é de 21,8 doadores para cada milhão de habitantes, enquanto que o registrado no País é de 13,1.
Somente Santa Catarina e São Paulo ficaram à frente do DF, registrando 26,9 e 22,2, respectivamente. A média nacional estipulada pelo Ministério da Saúde neste ano é de 11,4 doadores por milhão de população (PMP), o que já fez a capital ultrapassar a meta fixada em 2015, que era de 15 doadores por milhão.