Não é de hoje que pedestres e ciclistas clamam por mais segurança no trânsito, temendo serem vítimas de acidentes envolvendo carros. Porém, até mesmo nos espaços onde os veículos não passam, as ciclofaixas e ciclovias, a convivência no trânsito tão harmonioso como deveria ser. Desta vez, as desavenças ocorrem entre aqueles que estão a pé e de bicicleta.
O auxiliar de administração Wagner Ignácio mora na 411 Norte e caminha todos os dias com sua cadela. Além de discussões frequentes, Wagner conta que ele e um ciclista já partiram para agressões físicas. O morador reclama da imprudência de alguns ciclistas.
“Eles gritam com a gente, buzinam e passam rápido, com raiva. Dizem que nós estamos no lugar errado. Mas, poxa, se eu estiver dirigindo e passar uma criança no meio da rua, fora da faixa de pedestre, eu vou acelerar para atropelá-la ou vou tentar frear? Que tipo de mentalidade é essa?”, reclama.
Divisão
No local onde ele caminha há uma ciclofaixa, na L2 Norte. Na maioria do percurso existe uma calçada externa, próxima aos carros, e outra interna, próxima aos prédios – a área destinada às bicicletas está no meio. Mas em alguns pontos o espaço acaba sendo compartilhado.
“Falta mais educação e sinalização. Nos lugares em que a calçada passa pela ciclovia, como nos pontos de ônibus, não existe placa pedindo para os ciclistas diminuírem a velocidade ou darem preferência ao pedestre. Foi nessa situação que o meu pai caiu”, diz Wagner.
A quantidade de pedestres que usam o espaço dos ciclistas é alta. Mariana Darvenne, 18 anos, prefere correr na ciclofaixa e também já teve um conflito com uma ciclista: “Ela passou bem próximo de mim e bem rápido, de propósito. Fiquei chateada, mas geralmente eles me respeitam. Escolho correr aqui porque é mais contínuo e menos íngreme. Vou correndo até o Parque Olhos d’Água”, explica.
Respeito é necessário
Para a funcionária pública Ana Aguiar, que é ciclista, a sinalização está clara, com faixas vermelhas e até bicicletas desenhadas no chão. “Tem a área para os pedestres mas eles só gostam de andar aqui, com carrinhos de bebê, cachorro… É uma falta de educação. Adorei a construção da ciclovia, mas ainda há trechos incompletos”, reclama.
Independentemente de quem tenha o direito de utilizar as faixas, conforme as leis de trânsito, o maior sempre protege o menor. Sendo assim, o pedestre deve ser respeitado não só pelos motoristas, mas também pelos ciclistas. Para o presidente da ONG Rodas da Paz, Jonas Bertucci, faltam campanhas educativas. “Considerando que não há informação para ninguém, e que as calçadas estão em péssimas condições, os pedestres vão usar as nossas faixas mesmo. Cabe a todos proteger o pedestre”, afirma.
O Detran-DF pretende ampliar as ações educativas ainda em agosto para além das escolas, fazendo atividades de conscientização nas ciclovias.