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Brasília

Disputa de espaço nas ciclovias do DF

Arquivo Geral

31/07/2013 7h22

Não é de hoje que pedestres e ciclistas clamam por mais segurança no trânsito, temendo serem vítimas de acidentes envolvendo carros. Porém, até mesmo nos espaços onde os veículos não passam, as  ciclofaixas e ciclovias, a convivência no trânsito tão harmonioso como deveria ser. Desta vez, as desavenças ocorrem entre aqueles que estão a pé e de bicicleta.

 

O auxiliar de administração  Wagner Ignácio mora na 411 Norte e caminha todos os dias com sua cadela. Além de discussões frequentes, Wagner  conta que ele e um ciclista já partiram para agressões físicas. O  morador reclama da   imprudência de alguns ciclistas.

 

“Eles gritam com a gente, buzinam e passam rápido, com raiva. Dizem que nós estamos no lugar errado. Mas, poxa, se eu estiver dirigindo e passar uma criança no meio da rua, fora da faixa de pedestre, eu vou acelerar para atropelá-la ou vou tentar frear? Que tipo de mentalidade é essa?”, reclama.

 

Divisão

 

No local onde ele caminha há uma ciclofaixa, na L2 Norte. Na maioria do percurso existe uma calçada externa, próxima aos carros, e outra interna, próxima aos prédios – a área destinada às bicicletas está no meio. Mas em alguns pontos o espaço acaba sendo compartilhado.

 

“Falta mais educação  e sinalização. Nos lugares em que a calçada passa pela ciclovia, como nos pontos de ônibus, não existe   placa pedindo para os ciclistas diminuírem a velocidade ou darem preferência ao pedestre. Foi nessa situação que o meu pai caiu”, diz Wagner.

 

A quantidade de pedestres que usam o espaço dos ciclistas é alta. Mariana Darvenne, 18 anos, prefere correr na ciclofaixa e também já teve um conflito com uma ciclista: “Ela passou bem próximo de mim e bem rápido, de propósito. Fiquei chateada, mas geralmente eles me respeitam. Escolho correr aqui porque é mais contínuo e menos íngreme. Vou correndo até o Parque Olhos d’Água”, explica.

 

Respeito é necessário

 

Para a funcionária pública Ana Aguiar, que é ciclista, a sinalização está clara, com faixas vermelhas e até bicicletas desenhadas no chão. “Tem a área para os pedestres mas eles só gostam de andar aqui, com carrinhos de bebê, cachorro… É uma falta de educação. Adorei a construção da ciclovia, mas ainda há  trechos incompletos”, reclama. 

 

Independentemente de quem tenha o direito  de utilizar as faixas, conforme as leis de trânsito, o maior sempre protege o menor. Sendo assim, o pedestre deve ser respeitado não só pelos motoristas, mas também pelos ciclistas. Para o presidente da ONG Rodas da Paz, Jonas Bertucci, faltam campanhas educativas. “Considerando que não há informação para ninguém, e que as calçadas estão em péssimas condições, os pedestres vão usar as nossas faixas mesmo. Cabe a todos proteger o pedestre”, afirma. 

 

O  Detran-DF pretende ampliar as ações educativas ainda em agosto para além das escolas, fazendo atividades   de conscientização nas ciclovias. 

 
pontodevista
 
De acordo com o professor aposentado de Arquitetura e Urbanismo da UnB  Geraldo Nogueira Batista, falta construir uma série de orientações de convívio. “Eu acho que está se fazendo um esforço grande para introduzir essa cultura do uso da bicicleta. De forma geral, há problemas de adequação. Cada situação tem que ser projetada de acordo com as realidades locais”, avalia.

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