Gabriel de Sousa
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A situação financeira não está fácil para muita gente, e as dívidas fazem parte da realidade de muitos brasilienses. De acordo com pesquisas realizadas pelo Serasa Limpa Nome que foram divulgadas recentemente, o número de endividados na capital federal cresceu cerca de 10% em um período de agosto de 2021 para o mesmo mês deste ano.
No ano passado, o Serasa contabilizou que 1.076.589 brasilienses tinham pendências para pagar, com o valor médio das dívidas sendo de R$ 5.757,13. Já em agosto deste ano, o número de devedores foi elevado para 1.181.898 pessoas, registrando um crescimento de 9,78%.
Isso faz com que metade dos brasilienses estejam com o seu nome sujo, tendo em vista que o número de pessoas adultas residentes na capital federal foi estimado pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) em 2.003.584 pessoas. Já considerando toda a população do DF, que é de 3.010.881 habitantes, pode-se dizer que 35,57% estão “no vermelho”.
O valor médio das dívidas também cresceu, sendo estimado em R$ 6.530,41 por pessoa, o que evidencia um acréscimo de R$ 773. Segundo a Serasa, existem 5.918.145 débitos em aberto na capital federal, e o valor somado de todas as inadimplências é estimado em mais de 7,7 bilhões de reais. O montante cresceu cerca de 25% se comparado a agosto de 2021, quando as pendências calculadas eram de 6,1 bilhões.
Do total das dívidas dos brasilienses, 29,58% são por conta do não pagamento de boletos de cartões de crédito ou de bancos. Outros 23,77% são oriundos do setor de utilidades. As telecomunicações correspondem a 7,68%, enquanto as inadimplências com o varejo representam 7,23% dos débitos.
Cenário econômico é o culpado
De acordo com o economista César Bergo, conselheiro do Conselho Nacional de Economia do Distrito Federal (Corecon/DF), o aumento do número de endividados na capital federal “não é nenhuma surpresa”. Segundo ele, os motivos do crescimento das dívidas são consequências do aumento dos juros, o desemprego elevado e a subsequente queda da renda da população. “Houve uma degradação muito grande do cenário econômico e também do mercado, sobretudo de crédito”.
“Nestes últimos meses, o desemprego está caindo e a renda está melhorando, mas não é suficiente para melhorar esse cenário de endividamento das famílias. O que aconteceu foi que a taxa de juros subiu bastante, e as famílias não conseguiram fazer o giro das suas dívidas”, explica.
Segundo o economista, o cenário econômico fez com que muitas famílias brasilienses escolhessem gastar o seu dinheiro com utilidades básicas, como alimentação e contas básicas. Esse fator, somado a uma “taxa de juros exorbitantes, que vem subindo a cada dia”, colabora para que ainda mais moradores fiquem endividados.
“Você teve um aumento de custos para manutenção das famílias de uma hora para outra, sobretudo de alimentação, energia elétrica e transporte. As famílias tiveram que fazer uma opção, às vezes deixando de pagar uma dívida e escolhendo qual delas seria quitada. Então vai se avolumando”, conta Bergo.
Como vencer o desafio de limpar o nome?
O especialista em economia dá dicas para que os brasilienses endividados busquem formas de quitar as suas dívidas. Segundo Bergo, um caminho é conversar com os credores, na intenção de conseguir uma renegociação das dívidas. “Também buscar, junto a familiares e amigos, empréstimos a aqueles que têm depósitos de poupança para tentar amenizar esses impactos das taxas de juros elevadas”, conta.
O economista também alerta para que os consumidores usem os seus cartões de crédito de uma forma mais consciente, evitando a criação de dívidas em um momento de alta de juros na economia brasileira: “As pessoas, muitas vezes, até pela facilidade que ela acaba fazendo um consumo racional, e não emocional, acabam se endividando, e aí depois fica difícil de fazer a liquidação”.
Para os que já estão no vermelho, o conselheiro do Corecon/DF aconselha que os devedores busquem alternativas mais econômicas para a quitação das dívidas. “Pegar um empréstimo com taxas de juros menores, como o consignado, para liquidar empréstimos como o de cartão de crédito, cheque especial e outros empréstimos mais caros”, explica.