A posição do conselho pleno da UnB Ceilândia de apoiar a suspensão do vestibular para os cursos da unidade, caso o campus definitivo não esteja em pleno funcionamento até 2012, não tem o aval da diretora Diana Pinho. “Chamo a atenção como presidente do conselho que essa definição pode impossibilitar diretamente o acesso da comunidade de Ceilândia, que foi quem trouxe o campus para cá”, declara. A solicitação de suspender o processo seletivo e a criação de cursos de pós-graduação foi aprovada por unanimidade em reunião extraordinária do conselho, nesta quinta-feira (15). A questão é um dos 14 pontos reivindicados por alunos, que ocupam há três dias o Salão de Atos da reitoria.
“Acho que foi uma precipitação. A abertura do campus possibilitou a entrada de 1500 alunos, 80 professores e 48 servidores. Não podemos parar esse processo”, afirma Diana. Ela lembra que o conselho local não tem autonomia para suspender o vestibular e que a manifestação tem de ser avaliada por instâncias como o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) e o Conselho Universitário (Consuni).
Uma das 24 conselheiras de Ceilândia, a professora Margô Karnikowski disse que a decisão foi uma medida extrema, mas necessária para que os prédios do campus definitivo sejam finalizados. “É um momento para que os dirigentes se apropriem da causa, não no sentido de tomar conhecimento, porque eles já sabem, mas para termos uma resolução desse impasse”, afirma. O conselho de Ceilândia é composto por representantes dos professores, dos alunos, dos servidores e da comunidade. Apenas três pessoas deixaram de votar. Entre elas, a diretora Diana por presidir o grupo.
Coordenadora do movimento pela finalização do campus, a estudante Jéssica Rosa, 5º semestre de Saúde Coletiva, também votou no conselho. “Foi uma decisão importante que fortalece a nossa luta. Houve uma evolução de nossa proposta inicial”. A reivindicação primeira era a de não admitir de novos alunos para cursos de especialização, mestrado e doutorado, mas mantinha o ingresso para a graduação, sem que houvesse criação de cursos. Após debates com os professores, o movimento dos estudantes alterou a redação. “Que o conselho pleno da FCE seja favorável a não abertura de novos cursos de especialização, mestrado e doutorado e a suspensão dos vestibulares para os cursos de graduação compreendidos na FCE a partir do 1/2012 até que os prédios da Unidade de Ensino e Docência, da Unidade Acadêmica e MESP estejam em pleno funcionamento”, afirma o novo texto.
OUTROS PONTOS – A Inserção da disciplina de Libras em Ceilândia, defendida na carta, foi retirada da pauta pelos próprios estudantes após debates com o corpo docente. O professor de Enfermagem Sebastien Charneau alegou que a oferta de mais uma matéria vai de encontro à proposta de impedir a criação de novos cursos. “Não faz sentido ofertar uma nova disciplina. Seria contraditório”, afirma.
O conselho também decidiu que os professores não irão penalizar os alunos com faltas enquanto durar o movimento de reivindicação na reitoria.