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Brasília

Dia Mundial sem carro é um desafio difícil de cumprir

Arquivo Geral

22/09/2013 9h21

Hoje, como é de tradição desde 1997 na França e, desde 2003, no Brasil, o mundo terá que enfrentar um desafio: passar um dia inteiro sem tirar o carro da garagem. Alguns países contam com políticas públicas que apoiam a  utilização de meios de transporte alternativos mais eficientes,  sustentáveis e  seguros que o automóvel. Em Brasília, apesar da honrosa tentativa de ciclistas e ambientalistas da capital, a realidade é outra. Especialistas indicam que ainda falta muito para os moradores criarem independência do carro e poderem escolher outros meios de transporte. 

 

De acordo com o professor de Engenharia Civil e Ambiental da UnB Paulo César Marques da Silva, os horários, o percurso e a área de cobertura do sistema de transporte público dificulta o dia a dia de moradores da capital: “É preciso  um investimento grande para assegurar essas condições, que diminua a dependência dos automóveis. As pessoas adquirem um carro, que não é um item barato, e depois não tem sentido deixar de usar. É preciso quebrar essa visão e mostrar que não vale a pena sacrificar para ter carro, compra só quem pode”. 

Sem condições

Paulo César destaca que faltam condições para as pessoas fazerem pequenos percursos a pé ou de bicicleta.  “O Plano Piloto oferece condições, embora não sejam ainda ideais, para as pessoas fazerem trajetos de bicicleta com segurança por dentro das quadras. Agora, em outras áreas a pessoa não consegue nem ir até uma farmácia ou uma padaria sem carro”, conclui. 

 

O servidor público Alan Mendes é um dos poucos sortudos que consegue ficar sem o carro no dia a dia. Ele mora na 210 Sul e trabalha no Banco Central, mas admite que não são todos que podem ter essa mordomia. “Só dá certo porque moro perto do trabalho e tem uma ciclovia que vai da porta da minha casa até o trabalho. Mas quando  morava no Park Way eu tentei alguns vezes e desisti com medo de ser atropelado”, relata.

 

Calçadas dificultam caminhada

 

Além da falta de espaço para as bicicletas, brasilienses temem até caminhar pela cidade. A falta de calçadas nas áreas centrais desestimulam o assessor econômico Pedro Santos a deixar o carro em casa quando sai com os filhos. “Com criança é muito difícil. O transporte público é muito ruim, não tem calçada e nem trecho para bicicleta. Não iria conseguir ficar nem um dia sem o carro, teria que ficar em casa para aderir ao dia”, confessa. 

 

Para colocar o debate em pauta, a ONG Rodas da Paz promove hoje,  das 10h as 17h, no Eixão do Lazer Norte, próximo ao Viaduto da Galeria do Trabalhador, um dia de atividades, com muitas bandas de rock e DJs. Para o especialista em transportes urbanos Pastor Willy Gonzales Taco, a ideia de um dia sem carro é válida, mas falta reforçar isso diariamente.

 

Números

 

Brasília tem 0,54 veículos por capita, o segundo maior número no ranking nacional.  Números do Denatran e IBGE mostram uma média de um carro para cada dois habitantes na cidade.  De acordo com a Codeplan, 63% dos domicílios brasilienses têm pelo menos um carro na garagem. Em bairros com maior poder aquisitivo, como no Lago Sul, 98,7% das casas têm pelo menos um carro.

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