O Dia da Mulher da Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) chegou a 13ª edição neste mês de junho, com a realização de 3.057 atendimentos. A iniciativa pretende atender as mulheres em situação de vulnerabilidade. Nesta segunda-feira (3), a novidade do evento, foram os serviços gratuitos de ginecologia, psicologia e fisioterapia, em parceria com o Centro Universitário de Brasília (Ceub). A ação foi realizada no Núcleo da DPDF, na quadra 1 do Setor Comercial Norte. A próxima edição será no dia primeiro de julho.
Leonice Lopes da Silva, 50 anos, foi afastada do trabalho por questões de saúde, como deficiência nas pernas e problema de coluna. Ela não sabia da iniciativa da Defensoria, e foi até o órgão para resolver pendências, na manhã do dia 3, quando descobriu que poderia resolver outras coisas. “Muito bom ter esse dia com todas essas coisas sendo oferecidas. É bom demais para ser verdade”, brinca.

Para Leonice, geralmente, para alguns serviços, quando a pessoa vai atrás, o atendimento é demorado e burocrático. “Vim aqui, vi todas essas pessoas sendo atendidas, e resolvi ver como funciona esse atendimento”. Ela se interessou pelo exame de vista, fisioterapia e outras coisas.
Rayssa Ferreira de Castro, 24 anos, atualmente sem profissão, foi ao Dia da Mulher com a filha de dez meses, Maite. A prima de Rayssa comentou com ela sobre a iniciativa, e então ela foi até o Núcleo da Defensoria. “Muita coisa a gente não consegue resolver nem pelo telefone, daí eu resolvi vir aqui e consegui o atendimento no CRAS”.

Ela tentou fazer outras consultas e atendimentos, mas como chegou um pouco mais tarde, perdeu alguns serviços. “No próximo eu venho mais cedo”. Para ela, é bom ter esse projeto para as mulheres, principalmente com uma area de brinquedoteca para deixar as crianças, por mais que sua filha ainda não precise ficar lá, já que ainda é uma criança de colo. “Mas isso facilita para a gente, até por conta do tempo que a gente não tem muitas vezes”.
Amanda Cardoso Lacerda, 35 anos, é auxiliar de serviços gerais, e aproveitou que estava trabalhando no evento, para se cuidar também. “Porque além de ser um atendimento rápido, é difícil conseguir fazer esses exames em outro lugar”. Amanda fez o exame preventivo e uma consulta odontológica. E a primeira vez que ela trabalhou no evento, e não sabia da oportunidade dos serviços oferecidos. “Virei na próxima. Aproveitarei todos os benefícios que posso ter”. Além disso, Amanda planeja chamar todas as mulheres que ela conhece, para poderem aproveitar também.

O evento é realizado toda primeira segunda-feira do mês. Quem comparece ao Dia da Mulher pode resolver desde questões habitacionais, de saúde, educação, questões jurídicas, exames de DNA gratuitos para colocar o nome do pai na certidão. A mulher também encontra serviços oferecidos pelas secretarias do Distrito Federal, como a Secretaria da Pessoa com Deficiência, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda do DF (Sedet/DF), com vários serviços e ofertas de emprego, e a Secretaria da Mulher.
Inúmeros serviços são oferecidos na iniciativa, como do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (CODHAB), Serviço Social do Comércio (SESC), e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) com cursos, a carreta da beleza, dentista, e mamografia feita na hora. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), também são parceiros do evento.
A subdefensora pública-geral Emmanuela Saboya, afirma que a ação já está consolidada no DF, em que as mulheres podem tirar um dia do mês para resolver todos os seus problemas. Emmanuela afirma que esse projeto salvou muitas vidas, não apenas porque impediu que a violência doméstica se acirrasse, ou resolveu questões que envolvem violência doméstica, mas também com a realização dos exames de prevenção do câncer do útero. “A gente sabe que mais de duas centenas de mulheres tiveram diagnóstico e iniciaram seus tratamentos a tempo. O que nos dá uma satisfação muito grande na questão da saúde da mulher”.
Agora, a Defensoria Pública do DF pretende estudar como fazer para aumentar o espaço físico do evento. Já que, como explica Emmanuela, a procura tem sido muito grande, com parcerias fiéis.
Os serviços de orientações jurídicas e acompanhamento em caso de violência doméstica também são oferecidos no dia. “Então muitas vezes a mulher descobre aqui, que sofre violência doméstica, ao contar os seus problemas para nós. Muitas vezes ela descobre que sofre violência psicológica, e patrimonial, e ela consegue recebe esse abraço jurídico e de todos esses setores”. Para Emmanuela, muitas vezes a mulher é a porta-voz de toda a família, e no Dia da Mulher, ela consegue um apoio através dos serviços oferecidos. Ao longo das treze edições do DF, foram atendidas mais de 15 mil mulheres.
Orientação e educação sobre a saúde feminina
A supervisora de estágio de fisioterapia do Ceub, Samila Santos de Oliveira, conta que a participação da universidade na iniciativa tem o objetivo de proporcionar às mulheres, informação sobre a saúde pélvica, como questões de incontinência urinária, dores na relação, e outras coisas. “São percepção do próprio corpo, que muitas vezes essas mulheres não têm nenhum tipo de educação sobre, e estamos proporcionando a elas o porquê é bom saber essas coisas”, afirma. As mulheres já saem da consulta oferecida no Dia da Mulher, encaminhadas para um tratamento.
Para Samila, o mais importante, na maioria das vezes, é olhar no olho das mulheres que estão sendo atendidas. “São mulheres que precisam de uma informação humanizada, de você olhar para elas e mostrar que está interessado em saber sobre a queixa delas”. A fisioterapeuta acredita que é importante ter ações que fortaleçam a mulher, seja com uma orientação sobre seu próprio corpo, seja com uma sobrancelha feita, ou um atendimento de ginecologia.
O Ceub tem o Centro de Atendimento a Comunidade, que está disponível com um preço social em média de R$40 para todas as áreas de saúde. A ginecologista obstetra do Ceub, Patrícia Alarcão. Alarcão, conta que de primeira, as consultas foram realizadas para tirar dúvidas que já resolvem muito problema. Inclusive, para ela o CAC serve para ajudar a população, e além disso, para desafogar a demanda do Sistema Único de Saúde. “É muito importante a gente ter esse ponto com esses serviços, porque muitas vezes as mulheres não conseguem ter esse acesso no SUS. Demora muito para conseguir as consultas e principalmente consulta com especialistas, que é o nosso caso de ginecologista”.