Ana Paula Andreolla
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O Distrito Federal apresenta a melhor relação do País em número de leitos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para cada grupo de dez mil habitantes. O número, que cresceu 300% nos últimos cinco anos, chega atualmente a pouco mais de 600 no total, mas, apesar do surpreendente progresso, ainda está longe de atingir o mínimo recomendado e não está nem perto de apresentar um modelo coerente com a demanda da capital.
Segundo um dos coordenadores do XV Congresso Brasileiro de Medicina Intensiva, o médico intensivista Ederlon Rezende, no DF existem dois leitos de UTI para cada dez mil habitantes e a recomendação adequada seria, no mínimo, que tivesse três leitos.
Mas apenas abrir novas vagas não resolve o problema. Ainda segundo o médico intensivista, os leitos no DF são divididos quase que meio a meio entre a rede pública e a rede privada. A realidade, porém, é que 80% da demanda está na área de saúde pública. “O DF atende também o Entorno, e isso faz com a demanda por leitos cresça e seja maior na rede pública. Esse número, além de ser bem inferior a demanda real de leitos, ainda está mal distribuído, o que agrava o problema de falta de leitos na região”, explica o médico.
A má distribuição de leitos não é uma característica exclusiva do DF. Os quase 25,5 mil leitos espalhados por todo o Brasil dão ao País média de apenas 1,3 leito para cada dez mil habitantes. E quem mora em cidades do interior precisa se deslocar para as capitais. “Nos mais de quatro mil municípios existentes no País, apenas 403 apresentam UTIs, e essas estão centradas nas grandes cidades”, denuncia Rezende. “É muito difícil levar um médico para trabalhar no interior, mas é ainda mais difícil mover uma equipe inteira preparada para trabalhar em uma UTI”.
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