Leandro Cipriano
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Brasília foi considerado o local com a segunda pior cobertura de saúde bucal entre as capitais, ficando atrás apenas de Cuiabá (MT). A revelação é do Ministério da Saúde, por meio do Índice de Desempenho do Sistema Único de Saúde (SUS), que teve como base informações registradas no período entre 2008 e 2010.
A falta de profissionais para atender a demanda de cerca de dois milhões de habitantes, aliada à estrutura precária dos centros e postos de saúde, foi o principal motivo para explicar a classificação de Brasília. A capital federal conseguiu obter a nota 5,09 no sistema público de saúde de forma geral, abaixo da média de 5,47 estabelecida no País.
Na cobertura de saúde bucal, marcou 2,08 pontos, em um sistema de pontuação que vai até 10 – uma das menores notas registradas. Além disso, Brasília alcançou meros 0,20 na média mensal de escovações supervisionadas por um profissional de saúde bucal: o padrão adotado pela OMS é oito vezes ao mês.
A situação não surpreende os especialistas. Para o presidente do Conselho Regional de Odontologia do Distrito Federal (CRO-DF), Júlio César, a situação é apenas um reflexo da falta de políticas voltadas à saúde bucal nos últimos anos. “A relação de dentistas disponíveis com o número de habitantes chega a ser deficiente, em comparação com os outros estados”, diz o presidente.
“Na última década tivemos uma média de 300 profissionais da saúde bucal atendendo a rede. Junto com os habitantes do Entorno, esse universo tende a pressionar muito mais os profissionais. Por isso que as pessoas têm pouco acesso à saúde bucal”, explicou César.
Mais contratados
Segundo a Secretaria de Saúde do DF, o aumento de 35% na contratação de profissionais, no ano passado, foi uma das medidas para melhorar a realidade vivida da capital. Segundo o gerente da área de Odontologia, Sergio da Mata, 178 dentistas foram lotados na rede pública em 2011, totalizando 539 atualmente. Além disso, ele informou que oito Centros de Especialidade Odontológica (CEO) estão credenciados pela secretaria desde o ano passado, somando 13 até o momento.
“O Distrito Federal tem uma das piores coberturas do País na estratégia de saúde da família, o que também afeta a saúde bucal. Na época que foi implementado esse serviço – no governo Lula –, a gestão do GDF não estava alinhada com o Governo Federal. O DF não foi tudo o que podia ser por causa disso”, disse da Mata.
“Até 2010 eram 361 dentistas para atender uma população de dois milhões de pessoas. Era praticamente cinco mil habitantes para cada dentista, quando o recomendado é entre 1,2 mil a 1,3 mil. Lógico que em condições assim o paciente terá dificuldades”, completou.
Mesmo com o aumento do efetivo, a população vê com desconfiança o atendimento odontológico nos centros e postos de saúde. Alguns até mesmo desconhecem o serviço. “Não sinto confiança. Falta profissionais em todas as áreas da saúde”, comentou a cozinheira Lucilene Jesus, 34 anos. A autônoma Maria Joana Carvalho, 51 anos, afirma que não consegue arrumar o dente quebrado em lugar algum. “Vou ter de pagar para conseguir outro, porque a espera é muito longa. Só tento porque não tenho dinheiro, mas não confio”, apontou.
“São tantos anos sem atendimento que a população já não reconhece mais o serviço. Há uma necessidade de reorientar essas pessoas sobre os serviços existentes, que estão investindo e contratando pessoal. Mas falta uma iniciativa que mostre isso a eles”, salientou Júlio César, do CRO-DF.
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