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Brasília

Destino cruzou duas vidas

Arquivo Geral

24/08/2013 9h22

De morador de rua a herói, Adeílson Mota de Carvalho, marceneiro, 37 anos, ficou conhecido por ter encontrado Fellipe Dourado, jovem que esteve desaparecido por 13 dias. O destino cruzou duas vidas e, por consequência, duas famílias desesperadas. Adeílson também estava desaparecido há dois meses, desde que saiu da cidade de Redenção, no Pará, onde morava com a mulher e um filho. “Ouvi dizer que aqui estavam construindo muito por causa da Copa. Como meu ramo é a construção civil, vim em busca de emprego. Quando eu saí, disse para minha família que estava indo para São Paulo, mas vim para Brasília”, conta. E desde então, não falou com mais ninguém de lá.

 

Adeílson tem problemas com o uso de crack, e se depender da sua força de vontade, isso vai mudar. “Eu vinha pensando em sair das drogas porque já tinha recebido uma proposta de um senhor. Ele disse que ia arranjar uma clínica para eu me curar, mas acabei não indo. A família do Fellipe me perguntou se eu não queria uma ajuda financeira para voltar para a minha cidade, mas o que eu desejei mesmo foi me ver livre das drogas”, conta.

 

Vida normal

 

Adeílson, então, tornou-se o mais novo paciente do Centro de Tratamento para Dependência Química Salve a Si, na Cidade Ocidental (GO), Região Metropolitana do DF. “Quero voltar a ter minha vida normal. As drogas me fizeram perder minha integridade, minha confiança e minha dignidade, fora as coisas materiais, me tornei um escravo do crack”, conta, acrescentando que já foi chamado pelos colegas de rua para roubar e assaltar. “Mas eu nunca tive coragem. E eu também não pedia, não sou de pedir. Conseguia a droga porque ia buscar para quem não tinha coragem de ir comprar sozinho. A primeira e única droga que usei foi o crack”, completa. 

 

Rotina

 

Adeílson vai passar por um tratamento que dura seis meses. É um programa terapêutico que segue uma rotina. “É um processo longo e difícil. Nos primeiros seis meses, ele vai sentir muita abstinência. Como ele alimenta o vício há tanto tempo, é uma situação comprometedora”, explica Dalton Sales, psicólogo da clínica.

 

A Salve a Si fica numa chácara Adeílson acordará às seis horas da manhã e irá para uma atividade de campo em que cuidará da plantação, tirará leite da vaca, aprenderá a fazer pão, cuidará de bichos e participará da limpeza da casa. Depois do almoço, vai assistir a palestras e trocar experiências com ex-pacientes. Após o jantar, eles fazem uma atividade que é a troca de sentimentos entre internos. Adeílson também terá tempo livre para fazer coisas como ler e assistir a filmes. 

 
A chegada do paciente ilustre
 
A chegada de Adeílton ao Centro de Tratamento mudou a rotina do local. Isso porque, normalmente, os pacientes são “anônimos”. “Ele é o nosso Tom Cruise aqui”, brinca Dalton Sales, psicólogo da clínica.
O profissional antecipa que o tratamento exigirá dedicação e força de vontade.  Adeílson poderá apresentar sintomas como irritação, depressão, tosse, dor no corpo, coceiras, muita dor de cabeça, insônia e ter pesadelos. “O fato de ele passar seis meses aqui não garante que ele ficará limpo lá fora”, adverte.
 
“O vício das drogas  é uma doença   progressiva e fatal. O tratamento dele é ficar longe das drogas. O mais importante é que ele realmente demonstrou esse desejo de mudar a vida dele e largar as drogas”,  diz.
 
A Salve a Si tem um convênio com o  governo. A clínica tem 80 vagas e vai ampliar o atendimento para 120 pessoas. Mas ainda assim, precisa de ajuda para se manter. “Acabamos de assinar um convênio com a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Teremos que arranjar roupa e comida para mais 40 pessoas”, conta o psicólogo, preocupado com o futuro da instituição. Ele pede a quem puder, que faça doações para a Salve a Si. Para mais informações sobre o projeto, o site da instituição é www.salveasi. com.br.

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